Alguma experiência o rapaz aguardava

Na mísera vida que julgava ter;

Mas não só julgava, e guardava

Toda a solidão a que haveria de submeter.

Não passou muito tempo

Até aquele momento que pretendia

Por um só dia sentir alguma felicidade;

Não que tivesse muita idade

Mas que pensava que sua vida

Nada mais lhe ofereceria.

Eis que Deus lhe apresenta uma azaléia

Que em Bauru foi plantada,

Em Goiânia desabrocha, e passa a crer

De que um dia no Rio de Janeiro possa

Num amanhecer exibir suas pétalas róseas.

Aos pastores Silvio Scarabelli e Aluísio Freitas, amigos de minha parte e irmãos da parte de Cristo.

Por mais de uma vez que fui abordado por membros desta comunidade que se revelaram preocupados com minha pessoa, a fim de demonstrar o devido respeito por tal apreço, esta tem por objetivo (além de apresentar formalmente meu afastamento da congregação), explicar os motivos do ocorrido, fazendo-se saber com antecedência que o motivo e agente principal do desencadeamento dos demais, é apenas um, a saber, a vontade perfeita e inexorável de nosso Senhor. Interessa, pois, o relato dos caminhos misteriosos pelos quais a divina providência se enveredou.

No princípio, de nada mais se tratava se não de minha própria displicência numa juventude de pouca atenção aos interesses do espírito e demasiada dedicação aos atos imprudentes. Afastei-me do caminho de nosso Senhor por tanto tempo que cheguei a pensar que nunca o tivesse conhecido de fato. Com o passar dos anos e o engrossar das barbas, fui vítima da ilusão que acomete a muitos de nós em alguma época de nossas vidas, que é a de acreditar que podemos servir ao nosso Deus sem que seja necessário o relacionamento com seus demais filhos. Se me permitem, lhes pouparei de meus comentários a respeito desta estupidez. Com efeito, nas raras vezes em que estive presente na igreja que havia amado há alguns anos, não fui capaz de sentir nada em meu coração que fosse capaz de ofertar ao nosso Pai; então resolvi que não tentaria mais.

Meus domingos eram vazios, de modo que havia me esquecido do valor que tem para nosso Deus a dedicação de meu tempo e meus talentos. Dizimava cada mês em uma igreja diferente, sempre enviando dinheiro por intermédio de alguém, sem sequer ter a decência de me apresentar diante do altar. Foi então que, numa noite de domingo, sentado diante do computador (como o de costume), senti vontade de tomar banho; e o fiz. Depois senti vontade de vestir calças, sapatos e camisa social; e assim foi. Sem que percebesse, estava do lado de fora trancando a porta e saindo sem rumo. Meus pés me levaram a uma esquina, e depois a outra, até chegar a uma pequena igreja da ordem Presbiteriana que se situa na estrada do Encanamento, e havia um culto sendo iniciado.

Hoje fazem pouco mais de dois meses que freqüento esta pequena comunidade com a qual me identifico na maior parte de suas particularidades, e pela qual fui muito bem recebido. Não me entendam mal; como disse no início, a vontade de nosso Deus se move de formas misteriosas e isso é de conhecimento de todos nós. Estou certo, portanto, que em qualquer aspecto que a Primeira Igreja Batista em Santa Margarida possa ter-me decepcionado, foi por nada menos que a soberania da vontade divina agindo com sua natural liberdade sobre todos nós, pois que de nada me desgosto desta comunidade que me tenha dado motivos para optar pela mudança, mas apenas que me dispus a seguir o que nosso Senhor tem reservado para minha vida a cada dia em particular, sempre me deixando surpreender por seus detalhes e nunca questionando o que me é concedido.

Há ainda muito que gostaria de dizer, mas não creio que seja digno de exorta-los, não só por serem os senhores pastores, como também por não estar a par das atuais circunstâncias em que se encontra a comunidade se não pelo que se ouve de algumas bocas, mas me proponho a sempre incluir em minhas orações suas vidas e a vida desta igreja na qual fui apresentado ao nascer, da qual fugi quando garoto, na qual me converti na mocidade e da qual me afastei já homem, mas que, em todas estas fases, me abençoou de inúmeras formas.

Estou sempre a sua inteira disposição como irmão e militante da mesma causa, pois que por estarmos unidos é que não há arma alguma que nos possa intimidar e porta alguma que nos possa resistir, pois todas estas caem diante do nome de nosso Deus.

Com a sua bênção;

Alan Cristie

Houve, então, o velório. Ela não lembra exatamente como era a capela, mas lembra que naquele lugar não havia chão. Agora jaz na casa tão vazia quanto seu coração. E estando ela numa festa, ainda assim se sentiria solitária. E estando ela com as pessoas a quem ama e por quem é amada, ainda assim não se sentiria consolada. Porque nunca amou a alguém quanto à pessoa que havia há pouco perdido. É natural que os filhos enterrem seus pais, mas eis algo que sempre parece acontecer cedo demais. A moça perdeu sua mãe, e agora degusta o sabor amargo de estar sentada no sofá da sala esperando aquela figura gigante e sólida como uma rocha andando de um lado para o outro, ora carregando a roupa recém-tirada do varal, ora oferecendo uma colher de arroz e dizendo: “Vê se tá bom de sal.”

A moça chorou. Chorou e, sem que percebesse, deitou-se no sofá e adormeceu. Eis que uma menina lhe veio em sonho e chorava. A moça foi ao seu encontro e a perguntou: “Por que chora?” e a menina respondeu: “Estava passeando com a minha mamãe, então vi uma linda borboleta, e, por um momento que me distraí, me perdi da minha mamãe.” A moça sorriu para a menina e, abraçando-a, disse: “Vamos que te ajudo a achar sua mãe”, mas a menina respondeu: “Antes procuro pela borboleta, pois é ela a culpada de haver me perdido.” Então uma voz lhe sobreveio e disse: “Não se preocupe, pois a sua cuidadora agora está comigo. E não se culpe ou aos outros por sua partida, pois não apenas permiti que ela partisse para longe de você, mas assim Eu quis que fosse. Porque não apenas permiti que meu Filho fosse morto para que você fosse salva, mas assim havia Eu planejado desde antes da fundação do mundo. Tenha por prova que Isaque carregou a lenha de seu próprio sacrifício e, naquela época, já havia Eu decidido que meu Filho carregaria seu próprio madeiro para morrer por você. Tudo isso para que saiba que nenhum fio de seus cabelos cai sem que eu queira tal, pois minha vontade é inexorável.

Se sua mãe não está mais contigo, é porque Eu não quis que este cálice fosse afastado de você, pois é de conhecimento de poucos que há coisas que parecem más aos olhos dos homens, mas a Mim, que não sou limitado por tempo ou sabedoria (pois eis que sou Criador de ambos), a Mim cabe cuidar para que o melhor seja feito aos meus amigos. Não se escandalize quando digo que Eu quis a morte de sua mãe, pois há de se lembrar que, em Mim, ‘morte’ é traduzido ‘vida’. E não se preocupe e não se entristeça quando as pessoas pararem de falar nela, pois Eu cuido para que, mesmo que os nomes de meus amigos sejam esquecidos, seus frutos nunca cessem.”

E então a moça acordou. E este momento é agora.

Para Isis, que não teve um Dia das Mães dos mais felizes.

Tem essa garota do comercial de absorvente interno. Não sei onde eles conseguem garotas assim: simples e lindas na mesma medida. Tava aqui olhando quase escondido pra ela como se ela pudesse me ver. Me encabula o fato de ela estar fazendo um comercial de absorventes. Certo, todos sabemos que todas as mulheres usam absorvente. Também sabemos que todas as pessoas urinam, defecam e praticam sexo (a maioria, acho eu),  mas cada um desses assuntos torna uma conversa constrangedora de certa forma. Essa garota nem diz uma palavra sequer. Ela só acorda feliz, pára em frente a um espelho enorme em sua nudez isenta de qualquer vulgaridade, amarra os cabelos (lindos) e continua com seu dia. Ela passa o dia inteiro feliz como se estivesse drogada, quando ela só tá usando um absorvente. A televisão tem essa mania de fantasiar tudo. Tem o tal do desodorante de chocolate, que deixa você gostoso ao ponto de todas as mulheres quererem lamber e morder. Tem o iogurte que te deixa com o corpo da Ana Hickmann. Sem falar no barbeador que te transforma num homem de sucesso e na cerveja que te dá mais amigos e mulheres. Tô muito cansado do que a televisão faz com as pessoas. Mais de uma vez tive que pegar o dicionário pra mostrar pro meu pai um erro de ortografia num anúncio do Carrefour ou da Volkswagen. Sabe como é, a tevê nunca erra. A tevê faz do idiota um sábio e vice-versa. Ela pega um doido que afirma que o Holocausto nunca existiu e um historiador renomadíssimo que saca tudo do Holocausto e os coloca no mesmo páreo. Em poucos minutos as idéias do louco parecem um pouco mais plausíveis, e depois de meia hora nada mais importa. Você já parou de ouvir e mal consegue acompanhar. Onde foi que eu ouvi isso? Acho que foi na tevê.

Como eu tô de saco cheio de muita coisa hoje, quero que me perdoe por eu não me importar nem um pouquinho com você e escrever essa baboseira toda só pra mim.

Pai, é chegada a hora; glorifica seu Filho para que o seu Filho também  te glorifique, assim como lhe deu poder sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos quantos você deu a ele. A vida eterna é: que te conheçam como único Deus verdadeiro, e a mim que você mesmo enviou. Eu te glorifiquei na Terra, cumprindo o trabalho que me deu pra fazer. Agora me glorifica junto de você com a mesma glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. Eu disse o seu nome aos homens do mundo que você me deu; eram seus, você me deu, e eles guardaram a sua palavra. Agora eles já sabem que tudo o que eu tenho, vem de você, porque dei a eles a palavra que você me deu; e eles as receberam.  E eles realmente acreditam que eu saí de você, e acreditam que você me enviou. Eu peço por eles; não peço pelo mundo, mas por estes que você me deu, porque eles são seus. Todas as minhas coisas são suas, e as suas coisas são minhas; e nisso sou glorificado. E eu já não estou no mundo, pois vou para você. Pai santo, peço em seu nome que guarde estes que você me deu, para que sejam um só, assim como nós somos. Enquanto eu estiver no mundo, eu os guardo em seu nome. Tenho guardado estes que você me deu, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas, agora, vou para você e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei a eles a sua palavra e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tire do mundo, mas que livre-os do mal. Eles não são do mundo, assim como eu não sou. Faça-os santos pela verdade; a sua palavra é a verdade. Assim como você me enviou ao mundo, eu também os enviei ao mundo, e por eles santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Eu não peço somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim; para que todos sejam um, como você, Pai, é em mim, e eu, em você; também sejam eles um em nós, para que o mundo creia que você me enviou. Eu dei a eles a glória que você me deu, para que eles sejam um como nós somos um. Eu neles e você em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que você me enviou e que tem amado a eles do mesmo jeito que tem me amado. Pai, aqueles que você me deu, quero que, onde eu estiver, eles estejam comigo para que vejam a minha glória que veio de você; porque você me amou antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci. E estes conheceram que você me enviou. Eu os fiz conhecer o seu nome e farei os conhecer ainda mais, para que o amor com que tem me amado, esteja neles, e eu neles seja.

Ninguém ficou em casa no sétimo dia. O sábado teria sido ordinário se não fosse a chuva, a tristeza e o blues. Depois de tantas semanas dizendo o que deveríamos fazer, finalmente resolvemos apenas fazer. O Bruno me ligou por volta das três da tarde com a tão repetitiva proposta que sempre fazíamos um ao outro, mas que há um bom tempo não se voltava a cumprir. Ir à Banca do Blues. Trata-se de uma banca de jornal na esquina da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Wilson que, de extraordinário, só tem o logotipo personalizado com o nome da banca no topo e o fato de ter apresentações de bandas de blues locais sábadossim, sábadonão, o que torna o local muito bem freqüentado, atraindo inclusive público das boates na redondeza. Não sei se foi pela chuva forte que durou apenas alguns minutos ou se nós dois apenas erramos na contagem dos sábados e tivemos a desventura de aparecer lá num sábadonão, mas encontramos a banca fechada como qualquer outra banca no Centro do Rio às 21h. Iniciou então a nossa busca por algo pra fazer num sábado à noite no Centro da cidade, o que não seria difícil se não estivéssemos preocupados com o que encontraríamos em certos ambientes. Pensamos na Lapa que é bem perto de onde a gente estava, mas o que teria na Lapa num sábado à noite além de drogas e prostitutas? Bebida, mulheres e sinuca. Sei lá, sinuca é legal, mas não era exatamente o que a gente tava procurando. Então resolvemos passar no teatro da Caixa pra ver se tinha alguma coisa rolando, nem que fosse uma sessão de cinema-mudo. Mas, ao chegar lá, descobrimos que as coisas aconteciam bem mais cedo do que pensávamos. Ficamos pra um café. No ínterim entre o café e a dupla exposição de problemas pessoais naquela mesinha branca e redonda, decidimos que iríamos pra Botafogo num bar chamado Odorico. Eu curioso com os bons comentários de uma menina, o que se repetiria muito ao longo da noite como vai ver; e o Bruno com a vontade de conhecer o lugar que sempre passava em frente no caminho do trabalho. Chegamos, então, na Rua Voluntários da Pátria, 31, que àquela altura já era um bocado familiar por eu ter passado ali em frente algumas vezes nas últimas semanas. Depois de olhar por um momento o cardápio, resolvi pedir um Martini Bianco pra acompanhar meu amigo. O que eu não sabia era que essa bebida tinha um alto teor homossexual na apresentação da taça média com uma cereja no fundo. Tudo bem. É o preço que se paga por não se informar o suficiente. A noite foi se desenrolando entre palavras, garotas absurdamente bonitas e a fina chuva que começava a cair na mesa alta que escolhemos na calçada. Fomos, então, convidados a entrar pelo segurança que, notavelmente, estava intimidado com a minha bebida que, não diferente do tal Martini, também tinha um visual bastante andrógino. Eu gosto de Tequila Sunrise. Fazer o que? Uma vez lá dentro, mais uma vez me deixei levar pela curiosidade, e apesar de eu já ter tomado cerveja algumas vezes e de ter detestado, resolvi pedir um garoto escuro que, até ontem, eu não sabia que significava “copo pequeno de chopp preto”. E o Bruno em seu sóbrio Nestea, afinal, uma capotagem na Avenida Brasil estragaria a noite. Foi um ótimo sábado. E não foi pelos Martinis, bolinhos de bacalhau, chopps e muito menos pelo jogo Botafogo x Boavista que tava rolando no telão. A culpa é da chuva, do blues e da tristeza.

Postando da inauguração da primeira Apple Shop na América Latina.

O_o

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Trails of troubles, roads of battles, paths of victory I shall walk. The trail is dusty and my road it might be rough, but the better roads are waiting and boys it ain’t far off. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk. I walked down by the valley, I turned my head up high. I saw that silver lining that was hanging in the sky. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk. The evening dusk was rolling. I was walking down the track.
There was a one-way wind a-blowing and it was blowing at my back. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk. The gravel road is bumpy, it’s a hard road to ride. But there’s a clearer road a-waiting with the cinders on the side. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk. That evening train was rolling, the humming of it’s wheels. My eyes they saw a better day as I looked across the fields. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk. The trail is dusty, the road it might be rough, but the good road is a-waiting and boys it ain’t far off. Trails of troubles, roads of battles, paths of victory we shall walk.

Quanto mais eu me preocupo com o meu futuro, mais me acho ridiculamente superficial, muito embora eu sempre me esforce pra pensar em coisas maiores que as deste mundo vão. Quem costuma dar conselhos sabe do que estou falando: A cobrança é implacável. Quanto mais se tem a obrigação de ser sábio ou ao menos inteligente, mais difícil torna a possibilidade de realmente sê-lo. As pessoas carregam consigo essa profissão pessoal que é ser inteligente, e acabam por se frustrar mais do que deveriam, pois das pessoas que aguardam bons conselhos não se pode tirar culpa alguma se seus conselhos não foram produtivos, mas sua própria vida deve ser um exemplo de sucesso, pois supõe-se que uma pessoa sábia tenha a fórmula da felicidade, e quando não, que ao menos saiba lidar com problemas diante dos quais as pessoas ordinárias estão acostumadas a se prostrar. Pessoas que se consideram inteligentes de alguma forma têm o péssimo hábito de supor que seu futuro deve ser brilhante, não importa o que isso custe. Que não podem ser idiotas de quando em quando. Que não podem se deleitar com coisas fúteis. Que sempre devem ser críticos e não-impressionáveis. Nunca se cogita entre eles, por mais absurda que essa idéia me pareça, que talvez a felicidade não fosse um plano para a humanidade no ato da Criação, e que Deus talvez tivesse coisas muito maiores com que se importar para o próprio bem do homem. Me agrada mais o pensamento de que nossas vidas são curtas demais para acharmos algo tão complexo como a Felicidade, por isso gastamos nosso tempo procurando algo que de alguma forma se aproxime disso como família, bens, música, poesia e sexo.

Me dói o peito ao ver um casal trocando juras de amor. Depois das experiências que tive, que não foram poucas, começo a duvidar que o amor entre um homem e uma mulher seja mútuo, ao menos não na juventude. Claro que tenho exemplos cabais de que existe tal raro caso de duas almas se atraírem de forma que não se possa distingüir uma da outra, mas me parece que essa possibilidade se esgotou há algumas décadas. É difícil que alguém consiga o grande feito que é se apaixonar por alguém que a ame de alguma forma, e está ainda mais fora da minha realidade a idéia de que uma pessoa ame outra com a mesma intensidade que é amada. Me surpreende o fato de que tenho visto pessoas casarem cada vez mais jovens; não sei se é pelo fato de eu ter envelhecido ao ponto de ter muitos amigos casados, algo com que eu não estava acostumado na minha recém-falecida adolescência, ou se as pessoas estão tão desiludidas de sua fé no amor verdadeiro que escolhem viver um para-sempre finito com alguém que lhe agrade de uma forma qualquer por mais banal que seja. Talvez seja eu quem tenha perdido a fé e tenha sofrido a síndrome que comumente se acomete aos fracos: Culpar todo o resto ao invés de si mesmo. Essa possibilidade não me agrada, muito embora eu duvide dela só pelo fato de a ter cogitado. Talvez nada do que eu esteja dizendo faça sentido, e tudo o que espero com este texto, é que as palavras me digam o motivo de toda essa minha tristeza.

 

Para Ruiva.


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