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Tudo tem que ser esse jogo.
Você tem sempre que fingir que não quer.
Eu tenho sempre que correr atrás.
Eu tento esconder o tanto que eu tô a fim.
Você me pega de jeito quando lembra de mim.
Eu perco a vontade de brincar com você.
É difícil dizer porque se sente saudades. Nesse natal eu senti saudades do trabalho. Com o perdão da expressão em inglês, mas how weird is that? Poderia chegar fácil a uma conclusão de que senti saudade das pessoas, do ambiente, mas não. Senti falta do trabalho que eu faço. Senti falta da minha mesa, do meu computador, do meu telefone, do meu email, dos meus post-its, e principalmente dela, mas isso não vem ao caso. Importa é que a gente nunca sabe se gosta de alguma coisa até que tenha a oportunidade de sentir saudades. Desvalorizamos por achar que não gostamos até que perdemos e descobrimos o quanto faz falta, isso é clichê. Mas valorizamos achando que gostamos quando, na verdade, ao perder, sequer sentimos falta. A saudade é algo tão surpreendente quanto o amor. Jamais dependeu da vontade individual.
Tem essa garota do comercial de absorvente interno. Não sei onde eles conseguem garotas assim: simples e lindas na mesma medida. Tava aqui olhando quase escondido pra ela como se ela pudesse me ver. Me encabula o fato de ela estar fazendo um comercial de absorventes. Certo, todos sabemos que todas as mulheres usam absorvente. Também sabemos que todas as pessoas urinam, defecam e praticam sexo (a maioria, acho eu), mas cada um desses assuntos torna uma conversa constrangedora de certa forma. Essa garota nem diz uma palavra sequer. Ela só acorda feliz, pára em frente a um espelho enorme em sua nudez isenta de qualquer vulgaridade, amarra os cabelos (lindos) e continua com seu dia. Ela passa o dia inteiro feliz como se estivesse drogada, quando ela só tá usando um absorvente. A televisão tem essa mania de fantasiar tudo. Tem o tal do desodorante de chocolate, que deixa você gostoso ao ponto de todas as mulheres quererem lamber e morder. Tem o iogurte que te deixa com o corpo da Ana Hickmann. Sem falar no barbeador que te transforma num homem de sucesso e na cerveja que te dá mais amigos e mulheres. Tô muito cansado do que a televisão faz com as pessoas. Mais de uma vez tive que pegar o dicionário pra mostrar pro meu pai um erro de ortografia num anúncio do Carrefour ou da Volkswagen. Sabe como é, a tevê nunca erra. A tevê faz do idiota um sábio e vice-versa. Ela pega um doido que afirma que o Holocausto nunca existiu e um historiador renomadíssimo que saca tudo do Holocausto e os coloca no mesmo páreo. Em poucos minutos as idéias do louco parecem um pouco mais plausíveis, e depois de meia hora nada mais importa. Você já parou de ouvir e mal consegue acompanhar. Onde foi que eu ouvi isso? Acho que foi na tevê.
Como eu tô de saco cheio de muita coisa hoje, quero que me perdoe por eu não me importar nem um pouquinho com você e escrever essa baboseira toda só pra mim.
Postando da inauguração da primeira Apple Shop na América Latina.

Detesto teasers. Detesto teasers quase tanto quanto detesto sinopses. É incrível que um teaser consegue mostrar as cenas mais interessantes com a prerrogativa de que nós ainda não vimos o filme e não vamos entender do que se trata. Pior ainda é quando o teaser mostra um filme maravilhoso, e quando se paga pra ver, é uma completa decepção no final. Na vida não é diferente.
Pode me olhar torto. Eu julgo sim um filme pela capa. Uma bela capa diz tudo. Quando um filme é realmente bom, a capa não deixa a desejar. Com os seres humanos isso já não é tão certo. É difícil olhar a capa humana e saber de que tipo de filme se trata. Embora todos nós tenhamos um senso comum sobre os estereótipos do nosso tempo, é sempre mais provável que sempre estejamos errados quanto ao que julgamos. Descartes disse que a coisa melhor partilhada no mundo é o bom senso, pois mesmo aqueles que nunca se satisfazem com nada, não acham que precisam de mais bom senso. O mais engraçado é que o tanto que achamos ruim julgarem os outros pelas capas é inversamente proporcional à capacidade que nós mesmos temos de resistir a tal.
Sinopse estraga tudo. O filme, o livro, a vida. Eu adoro ler o título de um filme e me apaixonar de cara. Adoro falar com absoluta certeza: “Nossa, vou gostar muito desse filme”. Adoro ainda mais porque eu sempre consigo acertar. Também é muito legal ouvir a voz de uma pessoa e dizer: “Nossa, eu vou gostar muito dessa pessoa”. A diferença é que o filme nunca muda. Eu posso assistir quantas vezes quiser, que ele nunca vai ser diferente. A cada vez que eu assisto o mesmo filme, passo a vê-lo de uma forma diferente. Ou seja, sou eu quem fica diferente. O pior é que há pessoas que são como filmes. Elas nunca mudam. Não sei se são piores as que mudam de repente. Acho que não seria muito interessante se as pessoas viessem com sinopse. Imagina só: Alan Cristie é um simples cidadão brasileiro que vive num grande bairro do Rio de Janeiro quando de repente… Hum… De repente… É, a vida não é tão interessante quanto um filme. Nem tão resumida. Preciso de mais que uma contra-capa.


