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Não sei se você já leu sobre o grande êxodo dos israelitas na bíblia. Mesmo quem nunca leu, é bem provável que tenha visto algum filme a respeito. Talvez você já tenha assistido Os Dez Mandamentos (1956) com Charlton Heston, que três anos depois viria a viver Judah Ben-Hur. Talvez já tenha assistido O Príncipe do Egito (1998), aquela animação da DreamWorks bem bacana. Com certeza você sabe que Deus queria que seu povo fosse libertado, e pra isso mandou Moisés falar com o faraó da época, que se negava a deixar que o povo de Israel deixasse o Egito. Para cada vez que o faraó se negava, Deus enviava uma praga, e a última delas foi a da morte dos primogênitos. Estava próximo da Páscoa quando Deus mandou que toda família israelita sacrificasse um cordeiro e tingisse com seu sangue as portas de suas casas, pois o anjo do Senhor mataria somente os primogênitos das casas que não tinham a porta tingida com sangue. A impressão que temos desta cena é bastante visual. O espírito vaga pelo Egito, passa pelas casas e, quando vê o sangue na porta, pensa: “Alguém já morreu aqui.”, e passa adiante. Mas, ao encontrar uma porta limpa, ele entra e mata o primogênito.

O Faraó acorda à noite com o clamor que se fez no Egito naquela noite, pois não havia casa que não houvesse alguém morto. Em desespero, o faraó chama a Moisés e a Aarão e os dá a permissão que queriam para deixar o Egito (a princípio, em razão de ir cumprir com um costume israelita). Os judeus pediram, então, aos egípcios que lhes dessem roupas, ouro e prata (como diz um pastor que eu conheço, “se vir um judeu pular do décimo andar dum prédio, pula junto, porque judeu não joga pra perder”), e Deus constrangeu os corações dos egípcios a darem o que pediam.

Já longe do Egito, perto do monte Sinai, Deus mandou que Moisés contasse quantos primogênitos havia entre o povo. Ao dar o número a Deus, Moisés recebeu a ordem de tomar a todos os primogênitos para o serviço no templo. Ou seja, eles estavam destinados a morrer, mas Deus os salvou poupando-lhes da morte, obviamente suas vidas agora lhe pertenciam. Afinal, a vida de um simples cordeiro não se compara à vida de um ser humano. A idéia não parecia boa aos homens, então Deus deu a alternativa de contar os levitas (os que eram da descendência de Levi) e substitur os primogênitos por estes. O número de levitas foi menor que o de primogênitos, então Deus ordenou que fosse pago um determinado preço em ouro (aquele que levaram do Egito) por cada primogênito que excedesse ao número de levitas.

Ao serem questionados por Pôncio Pilatos sobre qual prisioneiro deveria ser solto, os judeus de Jerusalém escolheram a Barrabás. E quando Pilatos perguntou o que deveria fazer com aquele inocente, responderam que deveria ser crucificado. Barrabás certamente ficou estarrecido. Até o dia anterior, acreditava que estaria morto àquela hora, e naquele momento, um pobre coitado que sequer sabia de onde apareceu, morreria em seu lugar. Havia três cruzes no monte Calvário naquele dia. Três cruzes para três malfeitores. As duas laterais para dois ladrões e a do meio para Barrabás, o assassino. Agora aquela cruz seria a de Jesus de Nazaré, que teve seu sangue aspergido na minha porta para que eu não morresse. Como se não bastasse, ainda foi o levita (pois Jesus também era descendente de Levi) que tomou meu lugar no serviço.

Deus toma minha vida para si, para depois me devolvê-la ainda melhor. Ainda que eu seja seu servo, sou livre. Sou dono do nariz que pertence a Deus. Sou um dos primogênitos. E sou um Barrabás.

Cansado da adultice dos donos da verdade, o Verbo se fez carne. Não haveria melhor maneira do que chegar como uma criança. Os anjos cantam e anunciam que nasceu o Rei dos reis, pois eis que finalmente chega aquele por quem todos nós nascemos. A origem de todo o caos. Por um, todos pecamos e por um todos fomos perdoados.

Eu queria que as pessoas parassem com esse fingimento de todo Natal.

Droga…

Eles não estão fingindo.

bedeschi

Extraído da contra-capa da bíblia de José Bedeschi.

Pai, é chegada a hora; glorifica seu Filho para que o seu Filho também  te glorifique, assim como lhe deu poder sobre toda carne, para que dê a vida eterna a todos quantos você deu a ele. A vida eterna é: que te conheçam como único Deus verdadeiro, e a mim que você mesmo enviou. Eu te glorifiquei na Terra, cumprindo o trabalho que me deu pra fazer. Agora me glorifica junto de você com a mesma glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse. Eu disse o seu nome aos homens do mundo que você me deu; eram seus, você me deu, e eles guardaram a sua palavra. Agora eles já sabem que tudo o que eu tenho, vem de você, porque dei a eles a palavra que você me deu; e eles as receberam.  E eles realmente acreditam que eu saí de você, e acreditam que você me enviou. Eu peço por eles; não peço pelo mundo, mas por estes que você me deu, porque eles são seus. Todas as minhas coisas são suas, e as suas coisas são minhas; e nisso sou glorificado. E eu já não estou no mundo, pois vou para você. Pai santo, peço em seu nome que guarde estes que você me deu, para que sejam um só, assim como nós somos. Enquanto eu estiver no mundo, eu os guardo em seu nome. Tenho guardado estes que você me deu, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse. Mas, agora, vou para você e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos. Dei a eles a sua palavra e o mundo os odiou, porque eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. Não peço que os tire do mundo, mas que livre-os do mal. Eles não são do mundo, assim como eu não sou. Faça-os santos pela verdade; a sua palavra é a verdade. Assim como você me enviou ao mundo, eu também os enviei ao mundo, e por eles santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade. Eu não peço somente por estes, mas também por aqueles que, pela sua palavra, hão de crer em mim; para que todos sejam um, como você, Pai, é em mim, e eu, em você; também sejam eles um em nós, para que o mundo creia que você me enviou. Eu dei a eles a glória que você me deu, para que eles sejam um como nós somos um. Eu neles e você em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que você me enviou e que tem amado a eles do mesmo jeito que tem me amado. Pai, aqueles que você me deu, quero que, onde eu estiver, eles estejam comigo para que vejam a minha glória que veio de você; porque você me amou antes da criação do mundo. Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci. E estes conheceram que você me enviou. Eu os fiz conhecer o seu nome e farei os conhecer ainda mais, para que o amor com que tem me amado, esteja neles, e eu neles seja.

Não é de conhecimento geral que o termo “livre arbítrio” não existe em parte alguma da Bíblia, contudo, este não seria um argumento digno que me permitisse afirmar que o ser humano não é dotado de tal, e até seria bastante plausível que a Bíblia transmitisse apenas o conceito e com o passar das eras, o homem inventasse o termo. O ponto é que em parte alguma a Bíblia indica claramente tal conceito. Obviamente, tentar sustentar a teoria de que não temos livre arbítrio, soaria como um atentado contra a humanidade ou até mesmo como um insulto ao intelecto humano, afinal, você tem plena convicção de que faz suas próprias escolhas, não é mesmo? Mas isso seria contraditório quando falamos de um Deus Todo-Poderoso e afirmamos que Sua vontade é perfeita com base em sua onisciência. O orgulho humano de forma alguma permitiria que tal idéia fosse aceita (se não pela vontade de Deus, o que de certa forma já ilustra o que afirmo). Algumas passagens bíblicas afirmam que é necessário escolher entre dois caminhos, e eu não me atrevo a dizer o contrário, todavia, o que nos leva a pensar que escolhemos este ou aquele caminho guiados por nossa própria vontade? Qual a dificuldade para um ser onipotente de ditar os nossos desejos? Dito dessa forma, é normal despertar a ira de alguns ou até mesmo as gargalhadas de outros, mas quem confiaria num Deus que não tem absoluto controle sobre todas as coisas? O conceito de livre arbítrio nasceu da leitura do evento no livro da Criação na qual Deus dá ao primeiro homem e à primeira mulher a chance de escolher entre comer do fruto proibido e morrer ou não comer e viver. Cá entre nós, seres humanos, que adoramos provar o que é proibido: Seria muito injusto da parte de Deus fazer isso, não? Diria até mais: Deus, em sua infinita sabedoria, coloca bem no meio do jardim, em evidência, uma árvore de fruto atraente com o curioso nome de Árvore da Ciência do Bem e do Mal, permite que o Diabo os convença de que o fruto não mata coisa alguma, e é isso que devo aceitar por livre arbítrio? As pessoas que ficaram fora da arca no Grande Dilúvio também tiveram a chance de escolher? Os ninivitas, aos quais Deus enviou Jonas com a mensagem de que sua cidade seria destruída caso não se convertessem de seus maus caminhos tiveram outra escolha se não obedecer? Você se considera portador de livre arbítrio só porque pode escolher entre gozo eterno e sofrimento eterno? O ser humano tem a oportunidade de pensar, mas isso não significa que ele escolhe o que pensar. Se me perguntar se acho isso injusto, respondo que estou satisfeito em estar nas mãos de Deus ao invés de nas mãos do Diabo.

Uma das dúvidas mais freqüentes (e muito convenientemente utilizada) é porque Deus permite que haja o mal no mundo. Por que crianças morrem de fome? Por que jovens são estupradas? Por que mães perdem seus filhos de dois anos de idade? De fato, se esses questionamentos forem levados mais adiante e você admitir por um momento a existência de Deus, chegará à seguinte pergunta: Se Deus existe, por que ele permite que o Diabo exista? Admitindo a existência de Deus, para estes questionamentos só há uma resposta: Deus é mau. Mas a natureza de Deus é benigna, porque Ele próprio é o criador do bem e do mal. Alguns teólogos me chamariam de herege por esta última frase, mas é fato. Deus é criador de tudo o que existe, portanto, também é criador do mal. Mas se Ele criou o mal, como pode sua natureza ser benigna? Bem e mal são apenas pontos de vista. Nós somos seres limitados às leis e aos bons costumes, mas Deus está muito acima de tudo isso. Assim como eu sou capaz de administrar minha casa com meu cérebro racional e limitado, Deus é capaz de administrar a existência de absolutamente tudo com seu intelecto de infinita potência. Numa esquina da sua cidade, há dois mendigos: Um cego e um paralítico. Você só tem uma moeda. Tomando a atitude altruísta de dar esta moeda ao cego, não te torna uma pessoa boa? Mas, ao mesmo tempo, deixar de dar a moeda ao paralítico, não te torna mau? E se houver apenas o cego, e você der a moeda a ele, não te torna bom? Mas e se o cego for alcoólatra e você o estiver ajudando a sustentar seu vício, isso não te torna mau? Não há outra criatura de Deus que seja tão parecida com Ele. Nenhuma outra como ele, que não nós mesmos. Mas nossos corpos carnais estão sujeitos à decadência do mundo que nos cerca, e a todas as necessidades naturais às quais estamos predispostos. Mas Deus é Perfeito. A vontade dele sempre é a melhor opção. Se uma criança é morta por uma bala perdida na sua cidade, é algo que precisou acontecer. Se milhares de pessoas morrem de fome todos os anos, é porque isso é necessário que aconteça. Pois para Deus, que tem visão ilimitada sobre o tempo e o espaço como se fossem um quadro na sua frente, sabe o que aguarda essas pessoas a cada minuto de suas vidas, e até mesmo após isso. Einstein disse que Deus não joga dados com o mundo. E de fato não o faz. Tudo é parte de um plano, desde as leis físicas até o menor dos acontecimentos no seu organismo. Ele não é injusto, e não permitiria que alguém morresse ou sofresse de forma tão terrível se não houvesse um propósito, e se Ele não soubesse que cem anos de sofrimento são facilmente apagados com uma eternidade da mais absoluta e perfeita paz. Até mesmo porque, lembre-se que Ele mesmo sofreu mais do que qualquer ser humano suportaria.

Deus, na condição de ser pensante, está sujeito às vicissitudes de sua personalidade (sujeito por sua própria vontade; lembre-se que se trata de um ser Onipotente). Algo que herdamos de Deus na Criação, foi a capacidade de nos irarmos, amarmos, entristecermos, etc. Mas alguns dos sentimentos que Deus diz sentir, são apenas ilustrativos. Como um ser Onisciente pode se arrepender? Ou como um ser Imutável pode mudar de idéia? Há certos sentimentos no coração de Deus que precisam ser traduzidos para algo que nós, na condição de meros seres humanos, entendamos. Algumas pessoas não crêem na Bíblia e até mesmo na existência de Deus, por enxergarem deuses diferentes ao comparar o Antigo com o Novo Testamento. Elas vêem um deus cruel e sedento por sangue (falo de sangue do sacrifício de animais; do sangue humano e do mal no mundo falarei em breve), e isso leva igrejas inteiras a não considerarem o Antigo Testamento a não ser como registro histórico. Como eu disse anteriormente, Deus está sujeito por sua própria vontade às vicissitudes de seu coração, por isso ele pode demonstrar toda espécie de sentimento que, na posição de Deus Todo-Poderoso, lhe compete sentir. O que poucos enxergam, mesmo quando dizem enxergar, é que tudo o que foi feito por Deus na época do Antigo Testamento, mesmo que tenha sido com ira, foi feito primeiramente com amor. Os primeiros versos do evangelho segundo o apóstolo João, diz que o Verbo (Palavra) era Deus, e nada do que foi feito, se fez sem Ele. É de conhecimento de muitos que a Palavra à qual João se referiu é Jesus Cristo. Ao ampliar um pouco mais essa visão do Cristo no Princípio, percebe-se que Jesus Cristo é parte da personalidade de Deus. Para entender o porquê de Ele ter sido chamado pelo apóstolo de Verbo ou Palavra, basta ver que quando Deus disse “Haja luz”, isto era Jesus. O ato de Deus ao criar a humanidade e tudo à sua volta, é, literalmente, o Cristo. Levando esse princípio mais adiante, cada palavra de Deus direcionada ao povo de Israel, foi de fato o Cristo. Tomando por máxima o fato de que um pai castiga seu filho por amor, cada palavra de ira de Deus para com seu povo, também é por amor. Portanto, chegamos à conclusão de que Cristo, enquanto Verbo, é literalmente a manifestação física do amor de Deus. Isso não é nenhuma novidade, mas falo aqui da personalidade de Deus. Se Cristo é o amor manifesto do Pai, então é parte da personalidade dele. Isso serve para mostrar como pôde Deus dividir-se em dois e, posteriormente, em três. Não significa que existam três deuses, mas apenas Um com personalidade e objetivos distintos direcionados a um objetivo maior. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus que veio à Terra em carne para exibir sua própria natureza. A natureza do Verbo: O Amor de Deus.

O motivo pelo qual muitas pessoas não crêem na bíblia, é o fato de pensarem que se trata de um livro muito contraditório. O problema é que, por um olhar superficial, de fato, existem tais contradições, mas que são lidas com preconceito e sem o mínimo esforço para encontrar a razão de tais ambigüidades. Algumas coisas mais simples são tomadas por falsas por simplesmente terem sido lidas por um espírito estúpido que faz escárnio de algo que é de interesse geral dando a entender que realmente dedicou algum tempo pensando com seriedade e ética sobre o assunto abordado. De fato, nem todos os assuntos concernentes à bíblia são tão simples de se obter uma conclusão satisfatória, principalmente para alguns espíritos agitados que têm necessidade de saber cada vez mais sobre determinados assuntos e que parece que nenhuma explicação é completa o suficiente. Acho muito bom que se busque a verdade acima de qualquer coisa, mas é preciso também ter um pouco de visão para entender que há certas coisas que não têm explicação, portanto, é inútil continuar procurando respostas onde obviamente elas sequer existem; e que há outras coisas que têm explicações mais simples do que se pensa que têm. Outro problema é que a maioria dos espíritos que afirmam que não crêem na bíblia, sequer leram a mesma, salvo por alguns salmos ou pequenas passagens dos evangelhos. Não costumo escrever aqui como se estivesse escrevendo num blog, mas faço isso agora. A partir de hoje, serei autor de alguns textos periódicos sobre determinados assuntos (entre eles, este que abordei neste artigo). Há muito mais a dizer do que sua paciência poderia agüentar no momento, e não quero abusar dela.


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