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Há algum tempo ouvi um comentário do Arnaldo Jabor na CBN falando das tão famosas crônicas que a ele estão sendo atribuídas e espalhadas por toda a web principalmente através daquelas odiosas correntes. Sempre audacioso, repetiu diversas vezes durante o comentário: “Eu jamais diria uma besteira dessas!”, principalmente no tocante aos atributos femininos dos quais ninguém se agrada.
Semana passada assisti ao filme Fim dos Tempos (The Happening), o mais recente do diretor M. Night Shyamalan, em que o professor vivido por Mark Wahlberg faz uma citação atribuída a Einstein e que, na verdade, não são palavras dele. Seria a seguinte: “Se as abelhas desparecessem da face da Terra, o Homem teria apenas quatro anos de vida.” Isso tem relação com o Distúrbio do Colapso das Colônias, mas Einstein jamais disse nada disso.
Isso me lembra que sequer dei os devidos créditos ao João em algumas de suas frases que citei aqui no blog. Sempre achei meio feio esse negócio de links em textos por dar a impressão de incapacidade de se expressar pois, se não consigo explicar algo dentro do texto, obrigo o leitor a clicar no link e se informar a fim de continuar a ler. Sim, é um pensamento besta. Como pode perceber, abusei de links dessa vez. Cheguei à conclusão de que, quando a citação é boa demais, não damos os devidos créditos, e que creditamos falsamente quando o texto ou frase não é bom o suficiente a fim de conseguir algum… crédito.
Detesto teasers. Detesto teasers quase tanto quanto detesto sinopses. É incrível que um teaser consegue mostrar as cenas mais interessantes com a prerrogativa de que nós ainda não vimos o filme e não vamos entender do que se trata. Pior ainda é quando o teaser mostra um filme maravilhoso, e quando se paga pra ver, é uma completa decepção no final. Na vida não é diferente.
Pode me olhar torto. Eu julgo sim um filme pela capa. Uma bela capa diz tudo. Quando um filme é realmente bom, a capa não deixa a desejar. Com os seres humanos isso já não é tão certo. É difícil olhar a capa humana e saber de que tipo de filme se trata. Embora todos nós tenhamos um senso comum sobre os estereótipos do nosso tempo, é sempre mais provável que sempre estejamos errados quanto ao que julgamos. Descartes disse que a coisa melhor partilhada no mundo é o bom senso, pois mesmo aqueles que nunca se satisfazem com nada, não acham que precisam de mais bom senso. O mais engraçado é que o tanto que achamos ruim julgarem os outros pelas capas é inversamente proporcional à capacidade que nós mesmos temos de resistir a tal.
Sinopse estraga tudo. O filme, o livro, a vida. Eu adoro ler o título de um filme e me apaixonar de cara. Adoro falar com absoluta certeza: “Nossa, vou gostar muito desse filme”. Adoro ainda mais porque eu sempre consigo acertar. Também é muito legal ouvir a voz de uma pessoa e dizer: “Nossa, eu vou gostar muito dessa pessoa”. A diferença é que o filme nunca muda. Eu posso assistir quantas vezes quiser, que ele nunca vai ser diferente. A cada vez que eu assisto o mesmo filme, passo a vê-lo de uma forma diferente. Ou seja, sou eu quem fica diferente. O pior é que há pessoas que são como filmes. Elas nunca mudam. Não sei se são piores as que mudam de repente. Acho que não seria muito interessante se as pessoas viessem com sinopse. Imagina só: Alan Cristie é um simples cidadão brasileiro que vive num grande bairro do Rio de Janeiro quando de repente… Hum… De repente… É, a vida não é tão interessante quanto um filme. Nem tão resumida. Preciso de mais que uma contra-capa.


