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Sem dor e sem dó. Completo e desesperado. Assim é o amor quando é totalmente sincero.

Não o amor. A relação.

É como quando Jesus diz que tudo o que pedirmos em seu nome, nos será dado. Sabemos que para pedir em seu nome com real fé, é indispensável intimidade com o Pai, portanto, tudo o que pedirmos será em favor da obra de Deus, e não para benefício próprio. Isso é automático.

Funciona assim quanto à sinceridade entre nós. Podemos ser sinceros quanto a qualquer coisa um com o outro na certeza da sintonia dos nossos batimentos cardíacos. A intimidade e o respeito, tanto um pelo outro quanto pela vontade de Deus nos faz cada vez mais certos de que nenhum de nós jamais viveu algo assim. Posso até ousar em dizer que poucos conseguem tal façanha.

A verdade, embora o orgulho humano muitas vezes diga o contrário, não é que lutei por ela e agora ela é minha, mas que já era minha mesmo antes que a conhecesse.

estrelando: joão

Acho interessante ver as estatísticas do blog de vez em quando e verificar quantas pessoas acessaram no dia, quais artigos tiveram maior tráfego ou em quais links clicaram ao/para chegar aqui. O mais interessante das estatísticas são os termos de busca que usaram para chegar até meu blog. Algo que sempre achei curioso, mas nunca dei muita importância, é que pelo menos 70% dos acessos vindos de um mecanismo de busca foram de pessoas que procuravam “coisas bonitas pra dizer a uma garota”. Ao longo de mais de um ano de existência, foram centenas de acessos de rapazes procurando algo bonito pra dizer a alguma garota. Eu poderia ficar curioso pelo porquê de esses termos calharem de direcionar justamente ao Felicidade: 25¢ (na verdade, fiquei. Digitei no Google os termos e o primeiro resultado é meu blog), mas o que me deixa mais intrigado (e provavelmente a você também) é o tanto de gente que procura algo bonito pra se dizer à pessoa amada. Ontem mesmo tive a experiência de ficar vinte minutos com um pedaço de papel com um número escrito numa mão e o celular na outra só pensando no que diria. No final das contas, acho que não disse algo bonito o suficiente, portanto, duvido que esses rapazes encontrem aqui o que procuram. Eu tentaria ser espontâneo. Talvez isso funcione um dia.

luquinhas e deca

luquinhas e deca

Sinto saudades desse carinha. O nome dele é Lucas. Rapaz simples, bonito. Gosta de tocar guitarra, de fazer apanhadores de sonhos, e gosta da Déborah. Moça tímida, bonita. Gosta de poesia, de saionas bem grandes, e gosta do Lucas.

Déborah e Lucas são namorados. Mas isso todo mundo percebe. Ninguém consegue tirar esse sorriso de bocó dos dois. Aquele sorriso que só temos nos primeiros meses de namoro. Todo mundo saca que eles são o casal perfeito. Por isso eu nem quero falar deles como casal (como se fosse possível). Quero falar como amigos. Não entre um e outro, mas os amigos que são pra mim. Deus sabe que tem uma pá de tempo que não converso com o Lucas, e que raramente falo com a Déborah. Às vezes um telefonema aqui, outro lá… Mas às vezes bate aquela saudade que dá um nó na garganta. É como se eu tivesse convivido com eles durante muito, muito tempo, e estivesse me despedindo agora.

Tava vendo os vídeos de quando nos encontramos, e de quando me despedi do Lucas numa esquina de Goiânia que nem sei qual é. Parece que eu senti tudinho de novo. Muito besta isso… Ou melhor, muito paia isso!

Eu gosto dessa foto dos dois. Nem sei no que estavam pensando (provavelmente em aparecer legal na foto). Sei que estavam curtindo um momento muito legal entre amigos, mas não sei porque, sempre que eu olho pra ela, parece que eu ouço os dois dizerem: Oi, gAlan! ;D

Eu sei que esse texto tá uma droga. É que eu não me preocupei em fingir que sou inteligente (como o de costume). Só não queria deixar pra escrever isso amanhã. Só não me pergunte o porquê.

Amor é como matemática. Todo mundo conhece, mas nem todo mundo entende.

bedeschi

Extraído da contra-capa da bíblia de José Bedeschi.

O coração desse pobre rapaz ficou vacilante quando ele resolveu desviar o olhar de seu monitor e viu os olhos sorridentes dela ao aceitar a bala que ele lhe oferecera. Recentemente, não sei de onde tirou a idéia de que as garotas gostam mais de caras que não lhes dão muita atenção. Acho que é porque ultimamente as garotas por quem ele se interessou o têm visto apenas como o amigo; isso tem a ver com sua eterna mania de querer fazer as pessoas se sentirem bem à sua volta. Pedro sempre procura ser muito gentil e divertido. Isso acaba por dar às garotas a visão de um amigo ao invés de um homem, o que não o agrada nem um pouco. Quando ofereceu a bala a Jéssica, Pedro tentou fazer uma cara de quem está oferecendo por educação, e ainda conversava com um cliente no telefone enquanto olhava para o monitor. Mas sua visão periférica o traiu. Infelizmente ele conseguiu ver aquele sorriso e sentir aqueles dedos quentinhos; ele não conseguiu resistir e virou a cabeça. Jéssica é a garota mais bonita da empresa. E digo que é a mais bonita não só aos olhos do Pedro, ou aos meus olhos. Ela tem o tipo de beleza convencional. Em outras palavras, ela é o sonho de qualquer cara, e quando Pedro viu aqueles olhinhos emoldurando o sorriso mais lindo, o coração dele acelerou. Mais uma vez Pedro não conseguiu evitar seu famoso sorriso bobo. Por que ele se apaixona diversas vezes pelo mesmo sorriso? O que tem nesses olhos que o deixa desse jeito, com a guarda aberta? Pedro já perdeu toda a eloqüência. Seu cliente já não entendia sequer uma palavra do que ele dizia, e Pedro não consegue tirar os olhos da bala (que a essa altura já estava chegando à boca de Jéssica). Eu, olhando cá de cima, ri comigo mesmo e pensei: “Pára de olhar, rapaz… Ela vai perceber”; afinal, tudo o que Pedro não queria era parecer um bobão tarado reparando na garota. Meu garoto seguiu meu conselho. Não que ele estivesse errado, afinal, ele não estava cobiçando a Jéssica. Eu bem entendo o que os olhos de uma garota como ela pode causar no coração de um garoto como ele. Pedro é apenas um bom rapaz que não leva muito jeito com as garotas. Ele sabe lidar com pessoas, mas não especificamente com garotas. Toda essa humanidade que ele tem no coração o atrapalha um pouco. Mas eu tô preparando uma pequena surpresa pra ele, basta ele ter um pouquinho de paciência e confiar nas características que eu dei pra ele. Amanhã ele vai se sentir um pouquinho triste, e é nessa tristeza que ele vai descobrir que a Jéssica não é uma garota como as outras, e que entre suas qualidades, a beleza é a mais pobre.

Quando ela pagou a passagem, deu pra ver que não se tratava de uma pessoa comum. Ela andou pelo corredor do ônibus distribuindo com-licenças e me-desculpes. Não acho que ela tenha resolvido sentar do meu lado. Não me atreveria a esperar tal ventura. Estou certo de que foi um mero acaso eu ter sentado anteriormente justamente no banco ao lado daquele que ela, cinco minutos depois, escolheria para sentar. Mas ela sentou bem ali ao meu lado. E ela falou comigo. Eu respondi com a maior naturalidade que a minha pouca calma me permitiu, mas, me acredite: isso não era muito. Não sei se foi antes ou depois do meu milhão de pensamentos sobre como puxar assunto com ela, mas ela cantou. E cantou mais de uma vez. Nossa, como a voz dela é linda. Até que ela resolveu me pedir uma informação, e eu resolvi que não deixaria a oportunidade passar. Nós conversamos sobre quase tudo. Desde prioridades da vida até a beleza da chuva. Ela disse que adora o som que a chuva faz. Eu disse que não uso guarda-chuva, pois acho que a chuva deve molhar as pessoas, e não só a terra. Quando saímos do ônibus, reparei que estava chovendo muito mais do que eu pensava que estava. “Tá chovendo bastante, né?” eu disse; “É, mas tá uma delícia!”, ela não poderia ter respondido de forma mais perfeita. Eu não consegui me livrar do efeito magnético que ela provoca. Eu simplesmente a acompanhei sem perceber. Aqueles olhos castanhos quase me tiraram a atenção dos lábios e da voz dela. Mas é impossível. Ela tem o dom de tornar qualquer coisa interessante. Toda a palavra dela soa como um romance. Não sei o que quero dela. Não sei se vou encontrá-la novamente. Só sei que, se acontecer, quero que esteja chovendo.

Aqueles olhinhos enormes de bebê. No colinho da mamãe ela me observava firmemente. Aquela expressão de quem está vendo a coisa mais maravilhosa do mundo (ou a mais assustadora).

Uma moça ao meu lado também via aquela menininha linda com o olhar fixo em mim, mas quando eu a peguei me reparando, ela desviou o olhar. É engraçado como nós, adultos, nos sentimos constrangidos em ter contato visual com alguém que não conhecemos. Nós, gente-grande, auto-suficientes, independentes, vividos, criados. Nós temos medo de olhar nos olhos de outro ser humano. Um bebê que teria todos os motivos para fechar os olhos de medo e relutar a abrir, me encarava com uma facilidade incrível. O dia não foi legal. Sabe, essas preocupações de adulto. De gente-grande. Trabalho, contas, relacionamentos interpessoais, mais contas. Então ela deixa escapar um sorriso largo por trás da chupeta! Enquanto isso eu ouço no discman: You know your bills, they cannot wait, but you still have time. You find peace anyway.

Ela sempre estava na fila ao lado. Ele sempre chegava atrasado. Não atrasado para o que ele realmente estava suposto a fazer todos os dias; ele nunca chegou atrasado no trabalho. Mas sempre chegava bem depois dela. Antes ainda de o sol aparecer, as filas se formam sozinhas como se tivessem vida própria. E quem chega antes, fica na fila mais próxima de entrar no ônibus. Ela sempre chegou muito antes dele. Todos os dias ele ficava ali ora ouvindo música, ora lendo um livro, mas sempre olhando pra ela. Ele esperava o momento constrangedor em que ela repararia que ele a estava olhando, mas ela nunca retribuiu o olhar. Era como se ele fosse invisível. Então ela entrava no ônibus e sentava no último banco. Sempre no mesmo banco. E ele a observava olhando pela janela enquanto o ônibus saía. Ele a esquecia pelo resto do dia, mas ao chegar no ponto, a expectativa tomava conta. Atrasado novamente. Olhando pra ela. Entrando no ônibus. Partindo olhando. Pela janela. Até que um dia, ele chega e não a acha na fila ao lado. Não se pode dizer que foi uma decepção, mas ele conseguiu ler – de fato – seu livro daquela vez. Então é a vez dele de entrar no ônibus. Ele paga a passagem. Como ele não foi um dos primeiros da fila a chegar, não tem lugar na janela, e isso o deixa triste. Ele caminha com sua mochila até o último lugar disponível que fica atrás dos bancos mais altos lá atrás, ocultando quem está sentado. É quando ele a vê. Sim, ela mesma. Com aquele cabelo vermelho, pele branca e suas lindas sardas. Ele pensa que é o destino. Logo o último lugar disponível é ao lado dela! Mas o que ele não sabe é que quatro outros rapazes como ele passaram por este lugar querendo sentar ao lado dela. Mas ela intimida. E provavelmente o teria intimidado também se ele tivesse entrado antes. Mas aquele era o último assento. Ele se encorajou com a idéia de que não tinha escolha. Ela está com o braço encostado na janela. É tudo o que ele consegue ver com sua visão periférica. Não seria ousado o suficiente para ficar olhando a ruiva de frente estando ela bem ao seu lado. Ele pensa de repente que talvez não seja tão vantajoso assim sentar ao lado dela, e imagina de onde ele teria uma visão melhor. Mas algo encosta nele. “Por favor”, ele ouve. Ele não se vira. Mas é inevitável. Ela o toca novamente. Ele a olha. Aqueles olhos de um preto profundo. Como alguém pode ter olhos tão escuros? Ele se dá conta que não ouviu nada do que ela disse. “Desculpa, repete pra mim?” Repete pra mim. Ele se acha um idiota por ter dito isso. “A gente ta no expresso ou no que vai pela Ilha?” ela pergunta novamente. Ela deve estar acostumada a ter que repetir as coisas pra rapazes como ele. “Esse vai direto pelo Mato Alto. Não passa pela Ilha, não.” Ele diz se esforçando pra continuar a olhar os olhos dela sem deixar de prestar atenção no que ela diz. Mas ela só agradece e continua olhando pela janela. “Pára de olhar pra ela! Ela já agradeceu!” ele pensa. Então ele olha e folheia seu livro, pois ler ele não consegue. De longe em longe, ele se imagina puxando assunto com ela, mas acaba admitindo que seria muita pretensão achar que conseguiria. “Como é o seu nome?” Ela pergunta. Ele responde sem se virar e mal se dá conta de quem foi que perguntou. “Prazer. O meu é Marina. O expresso passa pelo Prezunic, né?” Ele faz que sim com a cabeça e solta um “U-hum!”. Ela sorri. E a viagem se desponta rápido demais depois do sorriso dela. Quando está quase chegando ao Prezunic, ele tenta olhar ao lado sem dar muita bandeira, e nota que ela está dormindo. Ele luta contra a idéia de deixa-la passar do ponto, o que seria muito agradável pois ficaria mais tempo ao lado dela. Então ele vira a cabeça e a olha por completo. Ela está com a cabeça caída sobre o ombro, e aqueles cílios grandes cerrando seus olhos. A boca perfeita sem batom ou qualquer coisa semelhante. Ele a toca no pescoço e mandíbula afastando seu cabelo do rosto. “Marina… Marina…” Ela deve estar cansada. “Marina…” Ela abre os olhos repentinamente. Que intimidade é essa que ele pensa que tem? Quando se acorda alguém no ônibus – quando o faz – se toca, ao máximo, no braço. Mas ela não se ofende. “O Prezunic. É aqui que você desce, né?” Ele pergunta. “Isso! Nossa! Obrigada! Tchau!” Diz levantando e puxando a cigarra. Ela o beija no rosto. Ela o beija no rosto. Ela o beija. No rosto.  No dia seguinte ele pega num novo horário. Marina nunca mais. A não ser que ele estivesse certo quanto ao destino.

Eu não tenho muitas lembranças do meu avô.  Não lembro de casos. Lembro de fatos. Como quando ele me fazia varrer o telhado coberto de folhas secas. Nossa, eu adorava isso. Costumava ser o trabalho do meu tio, mas ele cresceu, então corria “o risco de quebrar as telhas e ir parar no colo da vovó” e então “ele leva uma coça por ter atrapalhado a costura dela”. Eu ria muito quando ele dizia isso. Então varrer as telhas era um trabalho para o menor. Na verdade, eu não era o menor. Ainda tinha as minhas irmãs, mas eu era o “garotão do vovô”! E como se não bastasse a felicidade de subir lá no alto pra varrer as folhas, eu ainda ganhava um real inteirinho quando descia. “É pra colocar na poupança” dizia ele enquanto dava uns tapas na minha poupança. Digo que isso não é um caso, mas um fato, porque era como uma tradição. Eu sempre ouvia as mesmas palavras e sempre ria delas. Seu José não era um cara sempre bonzinho. Era o senhor que, quando a cadela dava cria, dizia com um tom muito sério: “Enterra tudo vivo!” O tom sério não evitava que nós déssemos umas boas risadas! Também foi o senhor que matou minha coelhinha Poliana, me fazendo descobrir que a Poliana era Poliano. Meu avô era o típico signore italiani que fazia macarronadas como ninguém! Ainda lembro daqueles olhos verdes se fechando com um sorriso enquanto beijava as pontas dos dedos. Não conheci ninguém mais naturalmente elegante que meu avô. Ele usava suspensórios e bermudas cáqui. Sempre vestia uma bonita camisa de botão e mangas curtas. O liso cabelo grisalho dele sempre andava muito bem arrumado. E aquela bengala. Ah, aquela bengala! Uma bengalinha de madeira que ele mesmo talhou e que nos contava que havia esmagado a cabeça de uma cobra com ela! Minha avó tem essa bengala até hoje, e sempre que eu olho pra ela, lembro do jeito que ele andava. Ele morreu em setembro de 1997. E dizem que morreu sorrindo. Não imagino de forma diferente.

E lá estava eu. Sentado numa cadeira de ansiedade e afundando num colchão de insegurança. Nada parecia real. Ou foi disso que eu tentei me convencer. A realidade nunca foi tão evidente. Esperei poder recostar na lentidão em que o tempo passava, mas eu nunca fui um mestre na arte da cronomanipulação. Então fui deixado sozinho. Eu nunca sei o que fazer com as mãos nessas horas, então peguei a primeira coisa que vi na minha frente. Agora não lembro o que foi. Não. Eu simplesmente não sei o que peguei. Só lembro de tê-la visto correndo na minha direção. Eu levantei da cadeira, mas o colchão me tragou. O meu sonho logo ali. Parado na minha frente. E eu simplesmente não soube o que fazer. Na verdade, eu sabia muito o que fazer, apenas não sabia o que fazer primeiro. Todo o tempo em que passei sonhando com este momento, de nada adiantou na prática. Ensaiei mil frases, e até agora não lembro de uma sequer. A saudade já bate na minha porta. Já sinto o cheiro dela na minha lembrança, e o gosto dela já permeia meus sonhos. Tenho medo das minhas experiências futuras. O amor agora é mais que real. E a saudade também há de ser.


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