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Acho interessante ver as estatísticas do blog de vez em quando e verificar quantas pessoas acessaram no dia, quais artigos tiveram maior tráfego ou em quais links clicaram ao/para chegar aqui. O mais interessante das estatísticas são os termos de busca que usaram para chegar até meu blog. Algo que sempre achei curioso, mas nunca dei muita importância, é que pelo menos 70% dos acessos vindos de um mecanismo de busca foram de pessoas que procuravam “coisas bonitas pra dizer a uma garota”. Ao longo de mais de um ano de existência, foram centenas de acessos de rapazes procurando algo bonito pra dizer a alguma garota. Eu poderia ficar curioso pelo porquê de esses termos calharem de direcionar justamente ao Felicidade: 25¢ (na verdade, fiquei. Digitei no Google os termos e o primeiro resultado é meu blog), mas o que me deixa mais intrigado (e provavelmente a você também) é o tanto de gente que procura algo bonito pra se dizer à pessoa amada. Ontem mesmo tive a experiência de ficar vinte minutos com um pedaço de papel com um número escrito numa mão e o celular na outra só pensando no que diria. No final das contas, acho que não disse algo bonito o suficiente, portanto, duvido que esses rapazes encontrem aqui o que procuram. Eu tentaria ser espontâneo. Talvez isso funcione um dia.

Eu não a conheço muito bem. Tudo o que conheço é um monte de palavras tão soltas quanto presas à imagem de um sorriso que nem sempre parece sorriso.

sorriso

do lat. subrisu

s.m.,

(1) ato de sorrir;

(2) manifestação que se faz, sorrindo, e que exprime um sentimento de benevolência, simpatia ou ironia.

 

E às vezes me surpreende com uma ousadia que não parece ousadia.

ousadia

do lat. ausare

s.f.,

(3) qualidade do que é ousado;

(4) coragem;

(5) liberdade.

 

Ousa ser morena e bonita (3). Boa, simpática e irônica (2).

Com aqueles cílios enormes que parecem querer esconder o mundo dela, ainda assim insiste em viver (4) e sorrir (1).

É isso o que eu chamo de liberdade (5).

 

Oº° :]

Eu quase nunca vejo uma estrela cadente. As luzes da cidade e as vicissitudes da vida sempre chamam mais a minha atenção. Na maioria das vezes, tudo o quanto é ordinário e vulgar, por ser mais frequente, acaba por ofuscar o que é singular e nobre. A primeira coisa que eu vi foi aquele All Star dourado. O sorriso dela veio depois, junto com aqueles olhos e o cabelo que estava longe de ser o mesmo que Deus lhe deu, com aquelas duas curvinhas emoldurando suas bochechas. É curioso como eu não consigo evitar parecer mais um marmanjo olhando pra uma garota bonita, por mais que eu não olhe com os mesmos olhos que a maioria; percebi isso quando ela olhou pra mim. Achar gente assim na multidão da cidade é tão raro quanto achar estrelas cadentes. Espero que os All Stars dourados sempre me tirem da distração do cotidiano.

Alguma experiência o rapaz aguardava

Na mísera vida que julgava ter;

Mas não só julgava, e guardava

Toda a solidão a que haveria de submeter.

Não passou muito tempo

Até aquele momento que pretendia

Por um só dia sentir alguma felicidade;

Não que tivesse muita idade

Mas que pensava que sua vida

Nada mais lhe ofereceria.

Eis que Deus lhe apresenta uma azaléia

Que em Bauru foi plantada,

Em Goiânia desabrocha, e passa a crer

De que um dia no Rio de Janeiro possa

Num amanhecer exibir suas pétalas róseas.

Houve, então, o velório. Ela não lembra exatamente como era a capela, mas lembra que naquele lugar não havia chão. Agora jaz na casa tão vazia quanto seu coração. E estando ela numa festa, ainda assim se sentiria solitária. E estando ela com as pessoas a quem ama e por quem é amada, ainda assim não se sentiria consolada. Porque nunca amou a alguém quanto à pessoa que havia há pouco perdido. É natural que os filhos enterrem seus pais, mas eis algo que sempre parece acontecer cedo demais. A moça perdeu sua mãe, e agora degusta o sabor amargo de estar sentada no sofá da sala esperando aquela figura gigante e sólida como uma rocha andando de um lado para o outro, ora carregando a roupa recém-tirada do varal, ora oferecendo uma colher de arroz e dizendo: “Vê se tá bom de sal.”

A moça chorou. Chorou e, sem que percebesse, deitou-se no sofá e adormeceu. Eis que uma menina lhe veio em sonho e chorava. A moça foi ao seu encontro e a perguntou: “Por que chora?” e a menina respondeu: “Estava passeando com a minha mamãe, então vi uma linda borboleta, e, por um momento que me distraí, me perdi da minha mamãe.” A moça sorriu para a menina e, abraçando-a, disse: “Vamos que te ajudo a achar sua mãe”, mas a menina respondeu: “Antes procuro pela borboleta, pois é ela a culpada de haver me perdido.” Então uma voz lhe sobreveio e disse: “Não se preocupe, pois a sua cuidadora agora está comigo. E não se culpe ou aos outros por sua partida, pois não apenas permiti que ela partisse para longe de você, mas assim Eu quis que fosse. Porque não apenas permiti que meu Filho fosse morto para que você fosse salva, mas assim havia Eu planejado desde antes da fundação do mundo. Tenha por prova que Isaque carregou a lenha de seu próprio sacrifício e, naquela época, já havia Eu decidido que meu Filho carregaria seu próprio madeiro para morrer por você. Tudo isso para que saiba que nenhum fio de seus cabelos cai sem que eu queira tal, pois minha vontade é inexorável.

Se sua mãe não está mais contigo, é porque Eu não quis que este cálice fosse afastado de você, pois é de conhecimento de poucos que há coisas que parecem más aos olhos dos homens, mas a Mim, que não sou limitado por tempo ou sabedoria (pois eis que sou Criador de ambos), a Mim cabe cuidar para que o melhor seja feito aos meus amigos. Não se escandalize quando digo que Eu quis a morte de sua mãe, pois há de se lembrar que, em Mim, ‘morte’ é traduzido ‘vida’. E não se preocupe e não se entristeça quando as pessoas pararem de falar nela, pois Eu cuido para que, mesmo que os nomes de meus amigos sejam esquecidos, seus frutos nunca cessem.”

E então a moça acordou. E este momento é agora.

Para Isis, que não teve um Dia das Mães dos mais felizes.

O coração desse pobre rapaz ficou vacilante quando ele resolveu desviar o olhar de seu monitor e viu os olhos sorridentes dela ao aceitar a bala que ele lhe oferecera. Recentemente, não sei de onde tirou a idéia de que as garotas gostam mais de caras que não lhes dão muita atenção. Acho que é porque ultimamente as garotas por quem ele se interessou o têm visto apenas como o amigo; isso tem a ver com sua eterna mania de querer fazer as pessoas se sentirem bem à sua volta. Pedro sempre procura ser muito gentil e divertido. Isso acaba por dar às garotas a visão de um amigo ao invés de um homem, o que não o agrada nem um pouco. Quando ofereceu a bala a Jéssica, Pedro tentou fazer uma cara de quem está oferecendo por educação, e ainda conversava com um cliente no telefone enquanto olhava para o monitor. Mas sua visão periférica o traiu. Infelizmente ele conseguiu ver aquele sorriso e sentir aqueles dedos quentinhos; ele não conseguiu resistir e virou a cabeça. Jéssica é a garota mais bonita da empresa. E digo que é a mais bonita não só aos olhos do Pedro, ou aos meus olhos. Ela tem o tipo de beleza convencional. Em outras palavras, ela é o sonho de qualquer cara, e quando Pedro viu aqueles olhinhos emoldurando o sorriso mais lindo, o coração dele acelerou. Mais uma vez Pedro não conseguiu evitar seu famoso sorriso bobo. Por que ele se apaixona diversas vezes pelo mesmo sorriso? O que tem nesses olhos que o deixa desse jeito, com a guarda aberta? Pedro já perdeu toda a eloqüência. Seu cliente já não entendia sequer uma palavra do que ele dizia, e Pedro não consegue tirar os olhos da bala (que a essa altura já estava chegando à boca de Jéssica). Eu, olhando cá de cima, ri comigo mesmo e pensei: “Pára de olhar, rapaz… Ela vai perceber”; afinal, tudo o que Pedro não queria era parecer um bobão tarado reparando na garota. Meu garoto seguiu meu conselho. Não que ele estivesse errado, afinal, ele não estava cobiçando a Jéssica. Eu bem entendo o que os olhos de uma garota como ela pode causar no coração de um garoto como ele. Pedro é apenas um bom rapaz que não leva muito jeito com as garotas. Ele sabe lidar com pessoas, mas não especificamente com garotas. Toda essa humanidade que ele tem no coração o atrapalha um pouco. Mas eu tô preparando uma pequena surpresa pra ele, basta ele ter um pouquinho de paciência e confiar nas características que eu dei pra ele. Amanhã ele vai se sentir um pouquinho triste, e é nessa tristeza que ele vai descobrir que a Jéssica não é uma garota como as outras, e que entre suas qualidades, a beleza é a mais pobre.

Ela era linda. Tinha os cabelos pretos e cacheados com uma franjinha até a altura das sombrancelhas. A pele era tão branquinha que, nos dias de muito sol, as bochechas dela ficavam bem rosadas. Os olhinhos dela eram castanhos e eu adorava quando ela sorria a bochecha dela apertava os olhinhos e ela exibia aqueles dentinhos (sempre faltava um dentinho da frente). Essa era a Pâmela. Foi ela quem me mostrou que as meninas não eram tão ruins assim. Ela foi meu primeiro amor. As coisas eram tão mais fáceis quando eu tinha 5 anos. Eu dizia pra todos que ela era a minha namorada sem sequer perguntar a ela antes se ela concordava com isso. Então a gente andava sempre junto, e de vez em quando de mãos dadas. Ela vinha brincar na minha casa, e eu na dela. Vez ou outra dividíamos nossos lanches e alguns segredinhos como “eu ainda faço xixi na cama” ou “eu ainda chupo chupeta”. Uma vez, não lembro por que, um garoto me empurrou na piscina infantil do colégio, e eu bati com o queixo na borda. Levei três pontos no queixo. O garoto quase morreu afogado com a Pâmela nas costas dele. Ela era uma garota incrível. Pouco tempo depois eu me mudei pra outra cidade. Quando voltei aos 12 anos, a encontrei novamente no colegial. A beleza dela não me impressionou nem um pouco, e acho que ela nem me reconheceu. Eu a vi recentemente enquanto andava pelo centro do bairro. Ela estava com um rapaz e empurrava um carrinho com uma menininha linda de cabelos pretos e cacheados, com uma franjinha até a altura das sombrancelhas. A pele tão branquinha que, como fazia muito sol, as bochechas dela estavam bem rosadas. Talvez você estivesse lendo uma história muito mais bonita se eu não tivesse ido morar em outra  cidade por 7 anos.


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