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Quanto mais eu me preocupo com o meu futuro, mais me acho ridiculamente superficial, muito embora eu sempre me esforce pra pensar em coisas maiores que as deste mundo vão. Quem costuma dar conselhos sabe do que estou falando: A cobrança é implacável. Quanto mais se tem a obrigação de ser sábio ou ao menos inteligente, mais difícil torna a possibilidade de realmente sê-lo. As pessoas carregam consigo essa profissão pessoal que é ser inteligente, e acabam por se frustrar mais do que deveriam, pois das pessoas que aguardam bons conselhos não se pode tirar culpa alguma se seus conselhos não foram produtivos, mas sua própria vida deve ser um exemplo de sucesso, pois supõe-se que uma pessoa sábia tenha a fórmula da felicidade, e quando não, que ao menos saiba lidar com problemas diante dos quais as pessoas ordinárias estão acostumadas a se prostrar. Pessoas que se consideram inteligentes de alguma forma têm o péssimo hábito de supor que seu futuro deve ser brilhante, não importa o que isso custe. Que não podem ser idiotas de quando em quando. Que não podem se deleitar com coisas fúteis. Que sempre devem ser críticos e não-impressionáveis. Nunca se cogita entre eles, por mais absurda que essa idéia me pareça, que talvez a felicidade não fosse um plano para a humanidade no ato da Criação, e que Deus talvez tivesse coisas muito maiores com que se importar para o próprio bem do homem. Me agrada mais o pensamento de que nossas vidas são curtas demais para acharmos algo tão complexo como a Felicidade, por isso gastamos nosso tempo procurando algo que de alguma forma se aproxime disso como família, bens, música, poesia e sexo.

Não é de hoje que estupidez é confundida com genialidade. Há muitos séculos, diabos são reis e ovinos são professores. O advento do que nos acostumamos a chamar de internet, não só mostrou o quão grande é o reino desses gênios boçais, como também acabou por fazer esse número crescer exponencialmente. A quantidade de produtos, desde contos até pequenas narrações que têm o propósito oculto por uma teia de arrogância é incrível. O que mais me irrita são as dissertações. Usar obliqüidade em prosa ou poesia é aceitável. Mas ser indireto ao dissertar uma teoria é, no mínimo, um desrespeito ao leitor. Quando se expõe uma idéia de forma subjetiva, o autor assina um atestado de que não sabe de absolutamente nada do que está falando. Ele simplesmente quer passar a impressão de que tem muito mais a dizer do que o leitor pode entender no momento. Nos últimos anos, li das idéias mais absurdas às teorias mais geniais em blogs por aí. Eu gosto das teorias absurdas. Elas me levam a pensar muito. E muitas idéias absurdas são teorias geniais em potencial. Mas idéias absurdas que se disfarçam de teorias geniais só pelo fato de o autor ter escrito de uma forma que ninguém entende, e que sempre dá a entender de que tem mais a dizer do que o próprio texto diz, é o cúmulo da falta de bom senso e respeito ao próximo. Quero sim ler muitas poesias subjetivas que me levem a tentar sentir por mim mesmo o que o autor sentiu no momento em que as escreveu. Mas não quero saber de textos teorizados subjetivamente. Não sou estúpido o suficiente pra andar no caminho onde outro já andou e simplesmente vendar os olhos. Se me aventuro por campos já desbravados, quero ver absolutamente tudo.

Minha cabeça dói quando penso no paradoxo que é o livre pensamento. Ao menos no meu livre pensamento. Não tenho receio algum em parecer fraco ou estúpido. Sei que a maioria dos seres humanos é. Por isso tenho que admitir que a minha mente não cansa de ser modelada pelos diversos tipos de mídia a que tenho alcance. Na maioria das vezes, não consigo ler um jornal sem me deixar levar pelo que leio. Basta ter alguma coerência, e eu tomo como verdade. Tive um bom exemplo disso ultimamente, enquanto leio Schopenhauer. Antes disso, li Descartes, e não me impressionou o fato de sua humildade nas palavras e seu carisma ímpar terem me cativado e convencido de grande parte do que li. Schopenhauer é diferente. Ele é rude, arrogante e impetuoso. Muito do que ele disse vai de encontro ao que foi dito por Descartes, mas eu também não consigo discordar dele em muitos aspectos. Me dói pensar que sou um falso erudito como descrito no livro que estou lendo. Mas é um fato: Não tenho livre pensamento se não aquele que eu decido que se deixe modelar. A única liberdade de que disponho é a escolha do que quero ou não passar a diante, levando-se em conta o que tenho para mim como lei, caráter e bons costumes. Todo o meu pensamento e, inevitavelmente, meus conselhos, não são baseados no que eu penso, mas no que eu acho que devo pensar. Me sinto como que degustando cada idéia, e engolindo com muita pressa.  Depois eu luto para digerir e soltar cada palavra com algum propósito. É fácil vomitar. Difícil é transformar a energia adquirida em sangue, e o sangue em leite, para então, amamentar a um recém-nascido com a poesia e a filosofia de suas próprias veias. Não com o sangue de outro.

Será possível atribuir ao coração mais que o papel de bomba de sangue? Será que ele é capaz de guardar memórias emocionais?
Acho que quando o cérebro foi criado, junto com a capacidade de raciocínio, veio uma espécie de filtro que inibe ou censura determinados sentimentos que o coração cria. Talvez o coração não seja apenas um músculo.
Já li relatos de pessoas que sofreram transplantes de coração, e que, depois disso, tinham uma avalanche de emoções e intuições totalmente diferentes das que estavam acostumados. Em mais de um relato lê-se as palavras “transplante de alma”.
O que é, é. Isto é tudo, e tudo é.
Não há lógica nenhuma em o coração guardar memórias emocionais. Os antigos começaram a atribuir sentimentos ao coração pela forma que ele reagia de acordo com os comandos do cérebro. Acelerar com excitação, e diminuir a velocidade com a temperança. Mas quando se fala de alma, a ciência se mostra ignorante nos dois sentidos. Ignora porque não conhece!
Como explicar? Simplesmente não o faz!
O homem, em sua incessante busca por conhecimento acaba por se frustrar quando há um campo em que não lhe foi permitida a entrada. Quando fica às cegas, insiste em resumir-se à afirmação: Não existe.
“Pedras não têm poder algum. Esses esotéricos são loucos!”
Por que é tão difícil de acreditar em algo que não compreendemos? O que pensariam do silício há cinqüenta anos atrás se alguém chegasse e dissesse que ele armazena informação?
Existem mapas do século XVI que têm informações precisas de como abaixo da calota polar na Antártica há dois continentes separados. O incrível é que essas informações só podem ser obtidas através de satélites, pois há mais de três quilômetros de gelo cobrindo ambos, fazendo dos dois, um aos nossos olhos.
Os cartógrafos da época que fizeram os mapas se basearam em mapas fenícios antiqüíssimos. Como eles sabiam que havia dois continentes ali se a Era Glacial havia passado muito antes?
Se eu disser aqui que essa informação foi passada aos fenícios por seres de outra dimensão, vai soar como insanidade, ou até mesmo piada. Mas o ser humano só é capaz de assimilar três dimensões: Altura, largura e profundidade. E se houver uma quarta dimensão? Nós simplesmente não veríamos essa, certo? Por que essa idéia parece tão absurda a algumas pessoas?
O que é, é. Isto é tudo, e tudo é.


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