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Ninguém ficou em casa no sétimo dia. O sábado teria sido ordinário se não fosse a chuva, a tristeza e o blues. Depois de tantas semanas dizendo o que deveríamos fazer, finalmente resolvemos apenas fazer. O Bruno me ligou por volta das três da tarde com a tão repetitiva proposta que sempre fazíamos um ao outro, mas que há um bom tempo não se voltava a cumprir. Ir à Banca do Blues. Trata-se de uma banca de jornal na esquina da Avenida Rio Branco com a Avenida Presidente Wilson que, de extraordinário, só tem o logotipo personalizado com o nome da banca no topo e o fato de ter apresentações de bandas de blues locais sábadossim, sábadonão, o que torna o local muito bem freqüentado, atraindo inclusive público das boates na redondeza. Não sei se foi pela chuva forte que durou apenas alguns minutos ou se nós dois apenas erramos na contagem dos sábados e tivemos a desventura de aparecer lá num sábadonão, mas encontramos a banca fechada como qualquer outra banca no Centro do Rio às 21h. Iniciou então a nossa busca por algo pra fazer num sábado à noite no Centro da cidade, o que não seria difícil se não estivéssemos preocupados com o que encontraríamos em certos ambientes. Pensamos na Lapa que é bem perto de onde a gente estava, mas o que teria na Lapa num sábado à noite além de drogas e prostitutas? Bebida, mulheres e sinuca. Sei lá, sinuca é legal, mas não era exatamente o que a gente tava procurando. Então resolvemos passar no teatro da Caixa pra ver se tinha alguma coisa rolando, nem que fosse uma sessão de cinema-mudo. Mas, ao chegar lá, descobrimos que as coisas aconteciam bem mais cedo do que pensávamos. Ficamos pra um café. No ínterim entre o café e a dupla exposição de problemas pessoais naquela mesinha branca e redonda, decidimos que iríamos pra Botafogo num bar chamado Odorico. Eu curioso com os bons comentários de uma menina, o que se repetiria muito ao longo da noite como vai ver; e o Bruno com a vontade de conhecer o lugar que sempre passava em frente no caminho do trabalho. Chegamos, então, na Rua Voluntários da Pátria, 31, que àquela altura já era um bocado familiar por eu ter passado ali em frente algumas vezes nas últimas semanas. Depois de olhar por um momento o cardápio, resolvi pedir um Martini Bianco pra acompanhar meu amigo. O que eu não sabia era que essa bebida tinha um alto teor homossexual na apresentação da taça média com uma cereja no fundo. Tudo bem. É o preço que se paga por não se informar o suficiente. A noite foi se desenrolando entre palavras, garotas absurdamente bonitas e a fina chuva que começava a cair na mesa alta que escolhemos na calçada. Fomos, então, convidados a entrar pelo segurança que, notavelmente, estava intimidado com a minha bebida que, não diferente do tal Martini, também tinha um visual bastante andrógino. Eu gosto de Tequila Sunrise. Fazer o que? Uma vez lá dentro, mais uma vez me deixei levar pela curiosidade, e apesar de eu já ter tomado cerveja algumas vezes e de ter detestado, resolvi pedir um garoto escuro que, até ontem, eu não sabia que significava “copo pequeno de chopp preto”. E o Bruno em seu sóbrio Nestea, afinal, uma capotagem na Avenida Brasil estragaria a noite. Foi um ótimo sábado. E não foi pelos Martinis, bolinhos de bacalhau, chopps e muito menos pelo jogo Botafogo x Boavista que tava rolando no telão. A culpa é da chuva, do blues e da tristeza.


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