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luquinhas e deca

luquinhas e deca

Sinto saudades desse carinha. O nome dele é Lucas. Rapaz simples, bonito. Gosta de tocar guitarra, de fazer apanhadores de sonhos, e gosta da Déborah. Moça tímida, bonita. Gosta de poesia, de saionas bem grandes, e gosta do Lucas.

Déborah e Lucas são namorados. Mas isso todo mundo percebe. Ninguém consegue tirar esse sorriso de bocó dos dois. Aquele sorriso que só temos nos primeiros meses de namoro. Todo mundo saca que eles são o casal perfeito. Por isso eu nem quero falar deles como casal (como se fosse possível). Quero falar como amigos. Não entre um e outro, mas os amigos que são pra mim. Deus sabe que tem uma pá de tempo que não converso com o Lucas, e que raramente falo com a Déborah. Às vezes um telefonema aqui, outro lá… Mas às vezes bate aquela saudade que dá um nó na garganta. É como se eu tivesse convivido com eles durante muito, muito tempo, e estivesse me despedindo agora.

Tava vendo os vídeos de quando nos encontramos, e de quando me despedi do Lucas numa esquina de Goiânia que nem sei qual é. Parece que eu senti tudinho de novo. Muito besta isso… Ou melhor, muito paia isso!

Eu gosto dessa foto dos dois. Nem sei no que estavam pensando (provavelmente em aparecer legal na foto). Sei que estavam curtindo um momento muito legal entre amigos, mas não sei porque, sempre que eu olho pra ela, parece que eu ouço os dois dizerem: Oi, gAlan! ;D

Eu sei que esse texto tá uma droga. É que eu não me preocupei em fingir que sou inteligente (como o de costume). Só não queria deixar pra escrever isso amanhã. Só não me pergunte o porquê.

Amor é como matemática. Todo mundo conhece, mas nem todo mundo entende.

Houve, então, o velório. Ela não lembra exatamente como era a capela, mas lembra que naquele lugar não havia chão. Agora jaz na casa tão vazia quanto seu coração. E estando ela numa festa, ainda assim se sentiria solitária. E estando ela com as pessoas a quem ama e por quem é amada, ainda assim não se sentiria consolada. Porque nunca amou a alguém quanto à pessoa que havia há pouco perdido. É natural que os filhos enterrem seus pais, mas eis algo que sempre parece acontecer cedo demais. A moça perdeu sua mãe, e agora degusta o sabor amargo de estar sentada no sofá da sala esperando aquela figura gigante e sólida como uma rocha andando de um lado para o outro, ora carregando a roupa recém-tirada do varal, ora oferecendo uma colher de arroz e dizendo: “Vê se tá bom de sal.”

A moça chorou. Chorou e, sem que percebesse, deitou-se no sofá e adormeceu. Eis que uma menina lhe veio em sonho e chorava. A moça foi ao seu encontro e a perguntou: “Por que chora?” e a menina respondeu: “Estava passeando com a minha mamãe, então vi uma linda borboleta, e, por um momento que me distraí, me perdi da minha mamãe.” A moça sorriu para a menina e, abraçando-a, disse: “Vamos que te ajudo a achar sua mãe”, mas a menina respondeu: “Antes procuro pela borboleta, pois é ela a culpada de haver me perdido.” Então uma voz lhe sobreveio e disse: “Não se preocupe, pois a sua cuidadora agora está comigo. E não se culpe ou aos outros por sua partida, pois não apenas permiti que ela partisse para longe de você, mas assim Eu quis que fosse. Porque não apenas permiti que meu Filho fosse morto para que você fosse salva, mas assim havia Eu planejado desde antes da fundação do mundo. Tenha por prova que Isaque carregou a lenha de seu próprio sacrifício e, naquela época, já havia Eu decidido que meu Filho carregaria seu próprio madeiro para morrer por você. Tudo isso para que saiba que nenhum fio de seus cabelos cai sem que eu queira tal, pois minha vontade é inexorável.

Se sua mãe não está mais contigo, é porque Eu não quis que este cálice fosse afastado de você, pois é de conhecimento de poucos que há coisas que parecem más aos olhos dos homens, mas a Mim, que não sou limitado por tempo ou sabedoria (pois eis que sou Criador de ambos), a Mim cabe cuidar para que o melhor seja feito aos meus amigos. Não se escandalize quando digo que Eu quis a morte de sua mãe, pois há de se lembrar que, em Mim, ‘morte’ é traduzido ‘vida’. E não se preocupe e não se entristeça quando as pessoas pararem de falar nela, pois Eu cuido para que, mesmo que os nomes de meus amigos sejam esquecidos, seus frutos nunca cessem.”

E então a moça acordou. E este momento é agora.

Para Isis, que não teve um Dia das Mães dos mais felizes.

Me dói o peito ao ver um casal trocando juras de amor. Depois das experiências que tive, que não foram poucas, começo a duvidar que o amor entre um homem e uma mulher seja mútuo, ao menos não na juventude. Claro que tenho exemplos cabais de que existe tal raro caso de duas almas se atraírem de forma que não se possa distingüir uma da outra, mas me parece que essa possibilidade se esgotou há algumas décadas. É difícil que alguém consiga o grande feito que é se apaixonar por alguém que a ame de alguma forma, e está ainda mais fora da minha realidade a idéia de que uma pessoa ame outra com a mesma intensidade que é amada. Me surpreende o fato de que tenho visto pessoas casarem cada vez mais jovens; não sei se é pelo fato de eu ter envelhecido ao ponto de ter muitos amigos casados, algo com que eu não estava acostumado na minha recém-falecida adolescência, ou se as pessoas estão tão desiludidas de sua fé no amor verdadeiro que escolhem viver um para-sempre finito com alguém que lhe agrade de uma forma qualquer por mais banal que seja. Talvez seja eu quem tenha perdido a fé e tenha sofrido a síndrome que comumente se acomete aos fracos: Culpar todo o resto ao invés de si mesmo. Essa possibilidade não me agrada, muito embora eu duvide dela só pelo fato de a ter cogitado. Talvez nada do que eu esteja dizendo faça sentido, e tudo o que espero com este texto, é que as palavras me digam o motivo de toda essa minha tristeza.

 

Para Ruiva.

Nunca mais se soube da Flávia. Pudera, ninguém agüentaria por muito tempo aquele tipo de vida. Mãe alcoólatra, pai violento, irmãos vagabundos. Tava na cara que ela nasceu no lugar errado, ou então foi trocada na maternidade. Ela não se parecia com aquelas pessoas em nenhum aspecto, seja físico ou mental. Queria saber por onde ela anda agora. Aquela sim é uma garota extraordinária, que não se contenta com pouco nem com muito. Ela quer o melhor. Engraçado como isso nunca a deixou arrogante. Sempre leu mais livros que a maioria das garotas no colégio. Sempre ouviu mais música que qualquer pessoa que eu conheço. Sabia tudo sobre Bob Dylan e Jerry Lee Lewis. Sempre andou na linha mesmo quando todos à sua volta pareciam ser os certos. Mesmo quando tudo o que lhe restava era a solidão longe de uma multidão de dependentes químicos. Flávia nunca sequer colocou um cigarro na boca. Até mesmo endorfina era algo raro agindo em seu cérebro. É como se ela tivesse nascido por si própria, e traçado um caminho numa via férrea; sem retorno. Sempre em frente. Há quem diga que pessoas boas são necessárias em ambientes como este. Que Deus providencia a presença de tais pessoas justamente para que haja esperança para todo o resto. Ao que me consta, Flávia pensou diferente. Ela já havia se sacrificado demais por pessoas que não mereciam. Agora era sua vez. Sua chance. Só lembro de olhar da janela do meu quarto às 5 da manhã e vê-la saindo de fininho com um violão nas costas, uma mala pequena numa mão e uma passagem de trem na outra. Para onde era a passagem?! Aposto que se eu conseguisse ler daquela distância, eu teria lido: “Destino: Mundo” Uma passagem só de ida.

Palavras de ataque, de defesa, de consolo, de perdão. Pouco tenho conversado só por conversar. Ou fala-se nada, ou fala-se algo pra consertar outra coisa. O que mais me chateia são as palavras forçadas. Digo algo que não quero dizer. Faço algo que não quero fazer por ter dito que faria. Pior seria se tivesse dito e não cumprido, mas isso não me serve por consolo. O que me ajuda a continuar tendo vontade de usar as palavras, é o prazer que me cabe quase como um dom de fazer algumas pessoas sentirem-se melhores consigo mesmas. Como a linda gaúcha que veio pro Rio com as roupas do corpo só pra ficar mais perto dos filhos. Ou a ex-esposa que foi traída e perdeu o amor próprio. Ou a garota que sofreu um acidente aos doze anos no qual morreu o irmão e seu rosto se desfigurou. Talvez aquela adolescente que nunca namorou e não sabe o quão bonita é. Esse tipo de gente me atrai. Essas pessoas não querem nada se não alguma atenção. Alguém que diga o contrário do que pensam sobre si mesmas. E sequer sabem que querem isso. Gosto de quando consigo usar bem as palavras. Detesto quando sou mal interpretado. Detesto ainda mais quando me não me faço entender. Falar é mais que uma habilidade. Mais que um dom. É uma virtude. E também um vício.


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