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Acho interessante ver as estatísticas do blog de vez em quando e verificar quantas pessoas acessaram no dia, quais artigos tiveram maior tráfego ou em quais links clicaram ao/para chegar aqui. O mais interessante das estatísticas são os termos de busca que usaram para chegar até meu blog. Algo que sempre achei curioso, mas nunca dei muita importância, é que pelo menos 70% dos acessos vindos de um mecanismo de busca foram de pessoas que procuravam “coisas bonitas pra dizer a uma garota”. Ao longo de mais de um ano de existência, foram centenas de acessos de rapazes procurando algo bonito pra dizer a alguma garota. Eu poderia ficar curioso pelo porquê de esses termos calharem de direcionar justamente ao Felicidade: 25¢ (na verdade, fiquei. Digitei no Google os termos e o primeiro resultado é meu blog), mas o que me deixa mais intrigado (e provavelmente a você também) é o tanto de gente que procura algo bonito pra se dizer à pessoa amada. Ontem mesmo tive a experiência de ficar vinte minutos com um pedaço de papel com um número escrito numa mão e o celular na outra só pensando no que diria. No final das contas, acho que não disse algo bonito o suficiente, portanto, duvido que esses rapazes encontrem aqui o que procuram. Eu tentaria ser espontâneo. Talvez isso funcione um dia.
Há algum tempo ouvi um comentário do Arnaldo Jabor na CBN falando das tão famosas crônicas que a ele estão sendo atribuídas e espalhadas por toda a web principalmente através daquelas odiosas correntes. Sempre audacioso, repetiu diversas vezes durante o comentário: “Eu jamais diria uma besteira dessas!”, principalmente no tocante aos atributos femininos dos quais ninguém se agrada.
Semana passada assisti ao filme Fim dos Tempos (The Happening), o mais recente do diretor M. Night Shyamalan, em que o professor vivido por Mark Wahlberg faz uma citação atribuída a Einstein e que, na verdade, não são palavras dele. Seria a seguinte: “Se as abelhas desparecessem da face da Terra, o Homem teria apenas quatro anos de vida.” Isso tem relação com o Distúrbio do Colapso das Colônias, mas Einstein jamais disse nada disso.
Isso me lembra que sequer dei os devidos créditos ao João em algumas de suas frases que citei aqui no blog. Sempre achei meio feio esse negócio de links em textos por dar a impressão de incapacidade de se expressar pois, se não consigo explicar algo dentro do texto, obrigo o leitor a clicar no link e se informar a fim de continuar a ler. Sim, é um pensamento besta. Como pode perceber, abusei de links dessa vez. Cheguei à conclusão de que, quando a citação é boa demais, não damos os devidos créditos, e que creditamos falsamente quando o texto ou frase não é bom o suficiente a fim de conseguir algum… crédito.
No ontem fui sozinho à Banca do Blues. Coincidentemente, inconscientemente passei ali em frente num sabadossim. Ao reconhecer o som da guitarra, da bateria e da gaita, eu puxei rápido a cigarra e desci do ônibus correndo. Aquela parte do Centro estava bem vazia, e se podia ouvir ecoando a voz de bluesman acompanhando o baixo.
No ontem aluguei um apartamento na Lapa. Todos disseram que achar um apartamento levaria tempo e que deveria pesquisar muito. Foi o único apartamento que visitei. Escolhi como escolho minhas roupas. Se foi o primeiro que olhei ou não, não importa. Importa que gostei. E é nele que moro hoje. Adoro a luz do sol matinal que bate nas enormes janelas refletindo a pintura pastel e o chão de madeira. Apesar dos prédios que posso ver da janela, fico feliz por ainda ter tanto céu pra mim.
No ontem comprei um ingresso para um show sem sequer conhecer a banda que vai tocar. Senti que era o que deveria ser feito. Não falo de comprar o ingresso, mas de confiar em duas pessoas. O show será no amanhã. E amanhã terei mais um ontem ou um ímpeto para contar.
P.S.: Hoje descobri que o mar dificilmente se apaixona por uma lagoa. E desse mistério eu nunca mais pretendo falar.
Depois de um domingo tão bom quanto um domingo consegue ser; depois de analisar a semana que passou e ver algumas coisas que, por mais simples que sejam, eu não gostaria de ter visto; eu só queria dizer ao meu amigo:
Você só sofre porque não sabe viver.
Quanto mais eu me preocupo com o meu futuro, mais me acho ridiculamente superficial, muito embora eu sempre me esforce pra pensar em coisas maiores que as deste mundo vão. Quem costuma dar conselhos sabe do que estou falando: A cobrança é implacável. Quanto mais se tem a obrigação de ser sábio ou ao menos inteligente, mais difícil torna a possibilidade de realmente sê-lo. As pessoas carregam consigo essa profissão pessoal que é ser inteligente, e acabam por se frustrar mais do que deveriam, pois das pessoas que aguardam bons conselhos não se pode tirar culpa alguma se seus conselhos não foram produtivos, mas sua própria vida deve ser um exemplo de sucesso, pois supõe-se que uma pessoa sábia tenha a fórmula da felicidade, e quando não, que ao menos saiba lidar com problemas diante dos quais as pessoas ordinárias estão acostumadas a se prostrar. Pessoas que se consideram inteligentes de alguma forma têm o péssimo hábito de supor que seu futuro deve ser brilhante, não importa o que isso custe. Que não podem ser idiotas de quando em quando. Que não podem se deleitar com coisas fúteis. Que sempre devem ser críticos e não-impressionáveis. Nunca se cogita entre eles, por mais absurda que essa idéia me pareça, que talvez a felicidade não fosse um plano para a humanidade no ato da Criação, e que Deus talvez tivesse coisas muito maiores com que se importar para o próprio bem do homem. Me agrada mais o pensamento de que nossas vidas são curtas demais para acharmos algo tão complexo como a Felicidade, por isso gastamos nosso tempo procurando algo que de alguma forma se aproxime disso como família, bens, música, poesia e sexo.
Me dói o peito ao ver um casal trocando juras de amor. Depois das experiências que tive, que não foram poucas, começo a duvidar que o amor entre um homem e uma mulher seja mútuo, ao menos não na juventude. Claro que tenho exemplos cabais de que existe tal raro caso de duas almas se atraírem de forma que não se possa distingüir uma da outra, mas me parece que essa possibilidade se esgotou há algumas décadas. É difícil que alguém consiga o grande feito que é se apaixonar por alguém que a ame de alguma forma, e está ainda mais fora da minha realidade a idéia de que uma pessoa ame outra com a mesma intensidade que é amada. Me surpreende o fato de que tenho visto pessoas casarem cada vez mais jovens; não sei se é pelo fato de eu ter envelhecido ao ponto de ter muitos amigos casados, algo com que eu não estava acostumado na minha recém-falecida adolescência, ou se as pessoas estão tão desiludidas de sua fé no amor verdadeiro que escolhem viver um para-sempre finito com alguém que lhe agrade de uma forma qualquer por mais banal que seja. Talvez seja eu quem tenha perdido a fé e tenha sofrido a síndrome que comumente se acomete aos fracos: Culpar todo o resto ao invés de si mesmo. Essa possibilidade não me agrada, muito embora eu duvide dela só pelo fato de a ter cogitado. Talvez nada do que eu esteja dizendo faça sentido, e tudo o que espero com este texto, é que as palavras me digam o motivo de toda essa minha tristeza.
Para Ruiva.
Não é de hoje que estupidez é confundida com genialidade. Há muitos séculos, diabos são reis e ovinos são professores. O advento do que nos acostumamos a chamar de internet, não só mostrou o quão grande é o reino desses gênios boçais, como também acabou por fazer esse número crescer exponencialmente. A quantidade de produtos, desde contos até pequenas narrações que têm o propósito oculto por uma teia de arrogância é incrível. O que mais me irrita são as dissertações. Usar obliqüidade em prosa ou poesia é aceitável. Mas ser indireto ao dissertar uma teoria é, no mínimo, um desrespeito ao leitor. Quando se expõe uma idéia de forma subjetiva, o autor assina um atestado de que não sabe de absolutamente nada do que está falando. Ele simplesmente quer passar a impressão de que tem muito mais a dizer do que o leitor pode entender no momento. Nos últimos anos, li das idéias mais absurdas às teorias mais geniais em blogs por aí. Eu gosto das teorias absurdas. Elas me levam a pensar muito. E muitas idéias absurdas são teorias geniais em potencial. Mas idéias absurdas que se disfarçam de teorias geniais só pelo fato de o autor ter escrito de uma forma que ninguém entende, e que sempre dá a entender de que tem mais a dizer do que o próprio texto diz, é o cúmulo da falta de bom senso e respeito ao próximo. Quero sim ler muitas poesias subjetivas que me levem a tentar sentir por mim mesmo o que o autor sentiu no momento em que as escreveu. Mas não quero saber de textos teorizados subjetivamente. Não sou estúpido o suficiente pra andar no caminho onde outro já andou e simplesmente vendar os olhos. Se me aventuro por campos já desbravados, quero ver absolutamente tudo.
Detesto teasers. Detesto teasers quase tanto quanto detesto sinopses. É incrível que um teaser consegue mostrar as cenas mais interessantes com a prerrogativa de que nós ainda não vimos o filme e não vamos entender do que se trata. Pior ainda é quando o teaser mostra um filme maravilhoso, e quando se paga pra ver, é uma completa decepção no final. Na vida não é diferente.
Pode me olhar torto. Eu julgo sim um filme pela capa. Uma bela capa diz tudo. Quando um filme é realmente bom, a capa não deixa a desejar. Com os seres humanos isso já não é tão certo. É difícil olhar a capa humana e saber de que tipo de filme se trata. Embora todos nós tenhamos um senso comum sobre os estereótipos do nosso tempo, é sempre mais provável que sempre estejamos errados quanto ao que julgamos. Descartes disse que a coisa melhor partilhada no mundo é o bom senso, pois mesmo aqueles que nunca se satisfazem com nada, não acham que precisam de mais bom senso. O mais engraçado é que o tanto que achamos ruim julgarem os outros pelas capas é inversamente proporcional à capacidade que nós mesmos temos de resistir a tal.


