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Não é de conhecimento geral que o termo “livre arbítrio” não existe em parte alguma da Bíblia, contudo, este não seria um argumento digno que me permitisse afirmar que o ser humano não é dotado de tal, e até seria bastante plausível que a Bíblia transmitisse apenas o conceito e com o passar das eras, o homem inventasse o termo. O ponto é que em parte alguma a Bíblia indica claramente tal conceito. Obviamente, tentar sustentar a teoria de que não temos livre arbítrio, soaria como um atentado contra a humanidade ou até mesmo como um insulto ao intelecto humano, afinal, você tem plena convicção de que faz suas próprias escolhas, não é mesmo? Mas isso seria contraditório quando falamos de um Deus Todo-Poderoso e afirmamos que Sua vontade é perfeita com base em sua onisciência. O orgulho humano de forma alguma permitiria que tal idéia fosse aceita (se não pela vontade de Deus, o que de certa forma já ilustra o que afirmo). Algumas passagens bíblicas afirmam que é necessário escolher entre dois caminhos, e eu não me atrevo a dizer o contrário, todavia, o que nos leva a pensar que escolhemos este ou aquele caminho guiados por nossa própria vontade? Qual a dificuldade para um ser onipotente de ditar os nossos desejos? Dito dessa forma, é normal despertar a ira de alguns ou até mesmo as gargalhadas de outros, mas quem confiaria num Deus que não tem absoluto controle sobre todas as coisas? O conceito de livre arbítrio nasceu da leitura do evento no livro da Criação na qual Deus dá ao primeiro homem e à primeira mulher a chance de escolher entre comer do fruto proibido e morrer ou não comer e viver. Cá entre nós, seres humanos, que adoramos provar o que é proibido: Seria muito injusto da parte de Deus fazer isso, não? Diria até mais: Deus, em sua infinita sabedoria, coloca bem no meio do jardim, em evidência, uma árvore de fruto atraente com o curioso nome de Árvore da Ciência do Bem e do Mal, permite que o Diabo os convença de que o fruto não mata coisa alguma, e é isso que devo aceitar por livre arbítrio? As pessoas que ficaram fora da arca no Grande Dilúvio também tiveram a chance de escolher? Os ninivitas, aos quais Deus enviou Jonas com a mensagem de que sua cidade seria destruída caso não se convertessem de seus maus caminhos tiveram outra escolha se não obedecer? Você se considera portador de livre arbítrio só porque pode escolher entre gozo eterno e sofrimento eterno? O ser humano tem a oportunidade de pensar, mas isso não significa que ele escolhe o que pensar. Se me perguntar se acho isso injusto, respondo que estou satisfeito em estar nas mãos de Deus ao invés de nas mãos do Diabo.
Uma das dúvidas mais freqüentes (e muito convenientemente utilizada) é porque Deus permite que haja o mal no mundo. Por que crianças morrem de fome? Por que jovens são estupradas? Por que mães perdem seus filhos de dois anos de idade? De fato, se esses questionamentos forem levados mais adiante e você admitir por um momento a existência de Deus, chegará à seguinte pergunta: Se Deus existe, por que ele permite que o Diabo exista? Admitindo a existência de Deus, para estes questionamentos só há uma resposta: Deus é mau. Mas a natureza de Deus é benigna, porque Ele próprio é o criador do bem e do mal. Alguns teólogos me chamariam de herege por esta última frase, mas é fato. Deus é criador de tudo o que existe, portanto, também é criador do mal. Mas se Ele criou o mal, como pode sua natureza ser benigna? Bem e mal são apenas pontos de vista. Nós somos seres limitados às leis e aos bons costumes, mas Deus está muito acima de tudo isso. Assim como eu sou capaz de administrar minha casa com meu cérebro racional e limitado, Deus é capaz de administrar a existência de absolutamente tudo com seu intelecto de infinita potência. Numa esquina da sua cidade, há dois mendigos: Um cego e um paralítico. Você só tem uma moeda. Tomando a atitude altruísta de dar esta moeda ao cego, não te torna uma pessoa boa? Mas, ao mesmo tempo, deixar de dar a moeda ao paralítico, não te torna mau? E se houver apenas o cego, e você der a moeda a ele, não te torna bom? Mas e se o cego for alcoólatra e você o estiver ajudando a sustentar seu vício, isso não te torna mau? Não há outra criatura de Deus que seja tão parecida com Ele. Nenhuma outra como ele, que não nós mesmos. Mas nossos corpos carnais estão sujeitos à decadência do mundo que nos cerca, e a todas as necessidades naturais às quais estamos predispostos. Mas Deus é Perfeito. A vontade dele sempre é a melhor opção. Se uma criança é morta por uma bala perdida na sua cidade, é algo que precisou acontecer. Se milhares de pessoas morrem de fome todos os anos, é porque isso é necessário que aconteça. Pois para Deus, que tem visão ilimitada sobre o tempo e o espaço como se fossem um quadro na sua frente, sabe o que aguarda essas pessoas a cada minuto de suas vidas, e até mesmo após isso. Einstein disse que Deus não joga dados com o mundo. E de fato não o faz. Tudo é parte de um plano, desde as leis físicas até o menor dos acontecimentos no seu organismo. Ele não é injusto, e não permitiria que alguém morresse ou sofresse de forma tão terrível se não houvesse um propósito, e se Ele não soubesse que cem anos de sofrimento são facilmente apagados com uma eternidade da mais absoluta e perfeita paz. Até mesmo porque, lembre-se que Ele mesmo sofreu mais do que qualquer ser humano suportaria.
Deus, na condição de ser pensante, está sujeito às vicissitudes de sua personalidade (sujeito por sua própria vontade; lembre-se que se trata de um ser Onipotente). Algo que herdamos de Deus na Criação, foi a capacidade de nos irarmos, amarmos, entristecermos, etc. Mas alguns dos sentimentos que Deus diz sentir, são apenas ilustrativos. Como um ser Onisciente pode se arrepender? Ou como um ser Imutável pode mudar de idéia? Há certos sentimentos no coração de Deus que precisam ser traduzidos para algo que nós, na condição de meros seres humanos, entendamos. Algumas pessoas não crêem na Bíblia e até mesmo na existência de Deus, por enxergarem deuses diferentes ao comparar o Antigo com o Novo Testamento. Elas vêem um deus cruel e sedento por sangue (falo de sangue do sacrifício de animais; do sangue humano e do mal no mundo falarei em breve), e isso leva igrejas inteiras a não considerarem o Antigo Testamento a não ser como registro histórico. Como eu disse anteriormente, Deus está sujeito por sua própria vontade às vicissitudes de seu coração, por isso ele pode demonstrar toda espécie de sentimento que, na posição de Deus Todo-Poderoso, lhe compete sentir. O que poucos enxergam, mesmo quando dizem enxergar, é que tudo o que foi feito por Deus na época do Antigo Testamento, mesmo que tenha sido com ira, foi feito primeiramente com amor. Os primeiros versos do evangelho segundo o apóstolo João, diz que o Verbo (Palavra) era Deus, e nada do que foi feito, se fez sem Ele. É de conhecimento de muitos que a Palavra à qual João se referiu é Jesus Cristo. Ao ampliar um pouco mais essa visão do Cristo no Princípio, percebe-se que Jesus Cristo é parte da personalidade de Deus. Para entender o porquê de Ele ter sido chamado pelo apóstolo de Verbo ou Palavra, basta ver que quando Deus disse “Haja luz”, isto era Jesus. O ato de Deus ao criar a humanidade e tudo à sua volta, é, literalmente, o Cristo. Levando esse princípio mais adiante, cada palavra de Deus direcionada ao povo de Israel, foi de fato o Cristo. Tomando por máxima o fato de que um pai castiga seu filho por amor, cada palavra de ira de Deus para com seu povo, também é por amor. Portanto, chegamos à conclusão de que Cristo, enquanto Verbo, é literalmente a manifestação física do amor de Deus. Isso não é nenhuma novidade, mas falo aqui da personalidade de Deus. Se Cristo é o amor manifesto do Pai, então é parte da personalidade dele. Isso serve para mostrar como pôde Deus dividir-se em dois e, posteriormente, em três. Não significa que existam três deuses, mas apenas Um com personalidade e objetivos distintos direcionados a um objetivo maior. Jesus Cristo é o Filho Unigênito de Deus que veio à Terra em carne para exibir sua própria natureza. A natureza do Verbo: O Amor de Deus.
O motivo pelo qual muitas pessoas não crêem na bíblia, é o fato de pensarem que se trata de um livro muito contraditório. O problema é que, por um olhar superficial, de fato, existem tais contradições, mas que são lidas com preconceito e sem o mínimo esforço para encontrar a razão de tais ambigüidades. Algumas coisas mais simples são tomadas por falsas por simplesmente terem sido lidas por um espírito estúpido que faz escárnio de algo que é de interesse geral dando a entender que realmente dedicou algum tempo pensando com seriedade e ética sobre o assunto abordado. De fato, nem todos os assuntos concernentes à bíblia são tão simples de se obter uma conclusão satisfatória, principalmente para alguns espíritos agitados que têm necessidade de saber cada vez mais sobre determinados assuntos e que parece que nenhuma explicação é completa o suficiente. Acho muito bom que se busque a verdade acima de qualquer coisa, mas é preciso também ter um pouco de visão para entender que há certas coisas que não têm explicação, portanto, é inútil continuar procurando respostas onde obviamente elas sequer existem; e que há outras coisas que têm explicações mais simples do que se pensa que têm. Outro problema é que a maioria dos espíritos que afirmam que não crêem na bíblia, sequer leram a mesma, salvo por alguns salmos ou pequenas passagens dos evangelhos. Não costumo escrever aqui como se estivesse escrevendo num blog, mas faço isso agora. A partir de hoje, serei autor de alguns textos periódicos sobre determinados assuntos (entre eles, este que abordei neste artigo). Há muito mais a dizer do que sua paciência poderia agüentar no momento, e não quero abusar dela.


