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Tenho passado bastante tempo em igrejas, catedrais e paróquias católicas, ora fotografando, ora só procurando o que fotografar. O que me chama mais a atenção é uma idéia que tenho há bastante tempo com relação à imagem do Cristo crucificado. A mim aparenta como um estandarte à sua morte. É como tentássemos (nós, homens) ofender duplamente a Deus. Primeiramente em esculpir uma imagem à semelhança de um homem e lhe render graças. Depois em estender o Cristo morto quase como um troféu. De forma alguma tenho a intenção de criticar os costumes católicos, mas esse tipo de coisa realmente me faz pensar. Claro que devo agradecer a Deus por Cristo ter morrido em meu lugar, mas vejo que a imagem de uma cruz vazia simboliza de forma muito mais correta o cristianismo. Se Jesus de Nazaré não tivesse ressucitado, para nós seria como qualquer profeta que já cruzou a terra, mas algo que o torna muito maior aos nossos olhos é o fato de ter vencido a morte que, até onde nos consta, nenhum outro homem é capaz de vencer por seu próprio esforço.
Comentei recentemente no blog de uma menina que acredito ser ateísta. Digo que acredito porque, mesmo que tenha sido incisiva em afirmar “não existe deus” ou “não vejo beleza nenhuma no ópio”, não acho que se pode afirmar que uma pessoa seja, de fato, ateísta sem que esta tenha um encontro com a morte. Penso que, se alguém tiver que enfrentar a morte bem de perto e não pensar por um centésimo de segundo sequer em o que irá encontrar após, este sim é ateu. Não posso ter certeza disso, mas duvido categoricamente que qualquer pessoa durante toda a história tenha morrido sem cogitar isso.
Se ela argumenta que oramos ou rezamos apenas para ouvirmos nossos próprios conselhos no tocante a diversos assuntos, espero que ela descubra o porquê de eu orar para que ela não tenha o encontro com essa dúvida tarde demais.
Talvez eu dê um trackback pro blog dela qualquer dia. Não tô sentindo à vontade pra isso agora.
Quanto mais eu me preocupo com o meu futuro, mais me acho ridiculamente superficial, muito embora eu sempre me esforce pra pensar em coisas maiores que as deste mundo vão. Quem costuma dar conselhos sabe do que estou falando: A cobrança é implacável. Quanto mais se tem a obrigação de ser sábio ou ao menos inteligente, mais difícil torna a possibilidade de realmente sê-lo. As pessoas carregam consigo essa profissão pessoal que é ser inteligente, e acabam por se frustrar mais do que deveriam, pois das pessoas que aguardam bons conselhos não se pode tirar culpa alguma se seus conselhos não foram produtivos, mas sua própria vida deve ser um exemplo de sucesso, pois supõe-se que uma pessoa sábia tenha a fórmula da felicidade, e quando não, que ao menos saiba lidar com problemas diante dos quais as pessoas ordinárias estão acostumadas a se prostrar. Pessoas que se consideram inteligentes de alguma forma têm o péssimo hábito de supor que seu futuro deve ser brilhante, não importa o que isso custe. Que não podem ser idiotas de quando em quando. Que não podem se deleitar com coisas fúteis. Que sempre devem ser críticos e não-impressionáveis. Nunca se cogita entre eles, por mais absurda que essa idéia me pareça, que talvez a felicidade não fosse um plano para a humanidade no ato da Criação, e que Deus talvez tivesse coisas muito maiores com que se importar para o próprio bem do homem. Me agrada mais o pensamento de que nossas vidas são curtas demais para acharmos algo tão complexo como a Felicidade, por isso gastamos nosso tempo procurando algo que de alguma forma se aproxime disso como família, bens, música, poesia e sexo.
O motivo pelo qual muitas pessoas não crêem na bíblia, é o fato de pensarem que se trata de um livro muito contraditório. O problema é que, por um olhar superficial, de fato, existem tais contradições, mas que são lidas com preconceito e sem o mínimo esforço para encontrar a razão de tais ambigüidades. Algumas coisas mais simples são tomadas por falsas por simplesmente terem sido lidas por um espírito estúpido que faz escárnio de algo que é de interesse geral dando a entender que realmente dedicou algum tempo pensando com seriedade e ética sobre o assunto abordado. De fato, nem todos os assuntos concernentes à bíblia são tão simples de se obter uma conclusão satisfatória, principalmente para alguns espíritos agitados que têm necessidade de saber cada vez mais sobre determinados assuntos e que parece que nenhuma explicação é completa o suficiente. Acho muito bom que se busque a verdade acima de qualquer coisa, mas é preciso também ter um pouco de visão para entender que há certas coisas que não têm explicação, portanto, é inútil continuar procurando respostas onde obviamente elas sequer existem; e que há outras coisas que têm explicações mais simples do que se pensa que têm. Outro problema é que a maioria dos espíritos que afirmam que não crêem na bíblia, sequer leram a mesma, salvo por alguns salmos ou pequenas passagens dos evangelhos. Não costumo escrever aqui como se estivesse escrevendo num blog, mas faço isso agora. A partir de hoje, serei autor de alguns textos periódicos sobre determinados assuntos (entre eles, este que abordei neste artigo). Há muito mais a dizer do que sua paciência poderia agüentar no momento, e não quero abusar dela.
Geralmente, o conceito de felicidade é inevitavelmente ligado à satisfação. A maioria das pessoas não acredita que possa haver felicidade se não houver sucesso naquilo em que se planeja. O que poucos se dão conta, é de que seu papel na busca da própria felicidade é mínimo. Seria muita pretensão sua dizer que hoje você é feliz porque conseguiu o que queria. Como você não pode alterar a ordem dos acontecimentos, como pode pensar que é ou não feliz por seu próprio mérito? Também alguém não é infeliz por falta de força de vontade. Quando se vive em sociedade, a última pessoa responsável por seu humor, é você mesmo. Quando se depara com uma grande dificuldade ou quando um plano falha categoricamente, onde estaria a felicidade? Às vezes, quando um objetivo falha, um outro pode surgir para substituir. Ainda melhor se este outro tiver sido bem sucedido. O ponto é que há sempre mais no mundo do que imaginamos. Sempre acaba-se por não ver o que há de bom, pois supervaloriza-se o que há de mau. Hoje posso dizer não só que sou feliz, mas também que estou muito feliz com as minhas escolhas, pois minha felicidade não dependeu delas, mas da grandeza e da beleza de pessoas que há pouco conheço, mas que há muito amo.
Quanta realidade reside no que vemos ou sentimos? A rosa é realmente vermelha? O limão é realmente azedo? O amor é realmente doce? O grande dado viciado que rege nossos sentidos parece, às vezes, falhar. Muitas vezes nos deparamos com algo tão inacreditavelmente absurdo que simplesmente não aceitamos tal coisa como realidade. Já dizia Kant, que se fizermos abstração do nosso sujeito, tudo o que há no espaço e tempo (e ainda o espaço e tempo enquanto fenômenos) simplesmente desapareceriam. Será que o mundo é o mesmo para um surdo ou para um daltônico? Mas o que é o som senão vibrações dos nossos tímpanos? E o que são as cores senão um reflexo da luz projetada em nossos olhos? Tudo não passa de intuição. E mesmo se pudéssemos elevar nossa intuição ao mais alto grau de clareza, nem assim nos aproximaríamos mais da natureza do objeto em si. Não obstante, a representação de um corpo em nossa intuição não tem absolutamente nada do corpo em si, principalmente se tratando de uma pessoa. Ou você acha que podemos ler pensamentos? Quanta realidade reside na realidade?
Maria Justina da Silva, 38, paraibana. Mãe de quatro filhos. Não dorme há três dias preocupada com o que dará de comer à sua família. Dávilyn Beatriz de Carvalho, 17, mineira. Prostituta. Chega em casa depois de mais uma noite de trabalho. Sua mãe pergunta como foi o trabalho. Ela responde que não há nada o que contar sobre o trabalho de balconista de uma loja de conveniência 24h, e que só quer dormir pra estar disposta a estudar mais tarde. Eloísa da Silveira, 58, carioca. Mãe de Zezé Malandro, um dos maiores traficantes de drogas do Rio de Janeiro. Ajoelha-se numa igreja evangélica fazendo uma prece para que mesmo que seu filho não deixe aquele caminho, que ela morra antes que tenha a oportunidade de vê-lo assassinado pelos policiais. Fernanda da Costa Medeiros, 25, paulista. Estudante da London School of Economics. Toma um chocolate quente com uma amiga no seu restaurante favorito em Londres, enquanto reclama do governo brasileiro e desenvolve uma dissertação sobre a pobreza no Brasil. O assunto não dura muito. Então ela paga a conta e vai fazer compras. Isso a faz recordar do quão distante está daquela realidade. Ou a faz apenas esquecer.
A ignorância é, na maioria das vezes, voluntária.
Que a infância é o momento mais gostoso, todos nós já sabemos. Mas a inescrutável fortaleza da independência que traz a maioridade não nos permite saber que ela está ao alcance a cada instante. Olha-se para trás e tudo o que se vê não é suficientemente bom para confrontar o que já se tem. A lascívia mata a inocência. A responsabilidade não chega a matar a diversão, mas a torna mais exigente. A ousadia mata o medo e, junto com ele, a esperança. A ficção nos transforma em seres dormentes. Os filmes violentos nos anestesiam, e passamos a achar aquilo normal. Os romances nos fazem imaginar que não é possível que exista um amor tão perfeito. Os suspenses tornam a vida chata e repetitiva. Deixamos de querer ser super-heróis. Deixamos de caçar tesouros. Deixamos de investigar. Deixamos de amar.
O que dizer daquilo que deixamos para trás e, por um breve momento, pensamos que não podemos viver sem, mas pouco depois sequer lembramos?
Como é possível esquecer tão rapidamente algo tão entrelaçado em nossas vidas quanto os espinheiros do túmulo dos amantes que, quando cortados, cresciam de um dia para o outro afim de que nunca se separassem?
Há quem diga que o guizo mágico que acalma nosso coração está dentro do nosso cérebro, e que nenhum cão furta-cor tem algo com isso. Um duque se dispõe a dar sua irmã e metade de suas terras ao invés de dar tal cãozinho a seu mais bravo guerreiro. O Petit Crû que foi presente de uma fada, e que, quando toca o guizo que pende em seu pescoço, aplaca a qualquer lamento. Tal guizo pende no crânio do ser humano e está pronto para acalmar. Basta balançar.
Às vezes me deparo com uma verdade absurdamente real, e minha mente dá um nó difícil de desatar eu sempre tenho duas escolhas: Ignoro completamente essa verdade pra não ter dor de cabeça, ou queimo os miolos pesquisando a respeito.
O incrível é que, de uma forma ou de outra, a verdade vem à tona.
Algumas verdades fazem questão de me perseguir até que eu tome uma posição a respeito. Mal eu consegui me livrar daquele pensamento, e ela surge de uma forma totalmente inusitada. Rindo eufórica. Zombeteira.
É de costume geral que novas verdades sejam ignoradas a fim de que o cérebro relaxe e não seja obrigado a remodelar os pensamentos. O ser humano tem o péssimo hábito de se comportar como um animal irracional.
Um sábio uma vez disse que a maior prova de que existe vida inteligente em outros planetas, é o fato de eles não terem nos visitado.
O homem evoluiu a partir do macaco? Sinceramente, não vejo diferença alguma.
É difícil falar com propriedade quando o assunto é amor, e aqueles que tentam, acabam sendo hipócritas ou tolos.
Hipócritas são aqueles que criam diversas teorias para o amor. O amor acontece assim… O amor acaba assim… Toma cuidado com isso… Mas nunca falam da própria vida amorosa!
Pessoalmente, prefiro ser o tolo.
Prefiro acreditar que cada amor é o primeiro. Acreditar que vai dar certo, não importam as circunstâncias. Gosto de fantasiar e até mesmo me decepcionar.
Mas o que eu gosto mesmo é de quando, mesmo que por um determinado tempo, eu estou certo.
A decepção se torna deliciosa quando nós encontramos aquele outro amor! O mais uma vez definitivo! O único! Assim nós podemos dizer: Ora… Houve um propósito maior! E por mais algum tempo podemos acreditar. E por mais um tempo podemos pensar que amamos de verdade.
O lado irônico disso tudo, é que o sábio hipócrita que entende tudo a respeito de amor, morre sozinho. Enquanto o tolo passa a ser sabido, pois ficou calado e apreciou enquanto pôde. E um dia, ele encontrou a última verdade. A última verdade sobre o amor. O último amor de verdade. O último romance.


