You are currently browsing the category archive for the 'The Black Crowes' category.

Aqueles olhinhos enormes de bebê. No colinho da mamãe ela me observava firmemente. Aquela expressão de quem está vendo a coisa mais maravilhosa do mundo (ou a mais assustadora).

Uma moça ao meu lado também via aquela menininha linda com o olhar fixo em mim, mas quando eu a peguei me reparando, ela desviou o olhar. É engraçado como nós, adultos, nos sentimos constrangidos em ter contato visual com alguém que não conhecemos. Nós, gente-grande, auto-suficientes, independentes, vividos, criados. Nós temos medo de olhar nos olhos de outro ser humano. Um bebê que teria todos os motivos para fechar os olhos de medo e relutar a abrir, me encarava com uma facilidade incrível. O dia não foi legal. Sabe, essas preocupações de adulto. De gente-grande. Trabalho, contas, relacionamentos interpessoais, mais contas. Então ela deixa escapar um sorriso largo por trás da chupeta! Enquanto isso eu ouço no discman: You know your bills, they cannot wait, but you still have time. You find peace anyway.

Palavras de ataque, de defesa, de consolo, de perdão. Pouco tenho conversado só por conversar. Ou fala-se nada, ou fala-se algo pra consertar outra coisa. O que mais me chateia são as palavras forçadas. Digo algo que não quero dizer. Faço algo que não quero fazer por ter dito que faria. Pior seria se tivesse dito e não cumprido, mas isso não me serve por consolo. O que me ajuda a continuar tendo vontade de usar as palavras, é o prazer que me cabe quase como um dom de fazer algumas pessoas sentirem-se melhores consigo mesmas. Como a linda gaúcha que veio pro Rio com as roupas do corpo só pra ficar mais perto dos filhos. Ou a ex-esposa que foi traída e perdeu o amor próprio. Ou a garota que sofreu um acidente aos doze anos no qual morreu o irmão e seu rosto se desfigurou. Talvez aquela adolescente que nunca namorou e não sabe o quão bonita é. Esse tipo de gente me atrai. Essas pessoas não querem nada se não alguma atenção. Alguém que diga o contrário do que pensam sobre si mesmas. E sequer sabem que querem isso. Gosto de quando consigo usar bem as palavras. Detesto quando sou mal interpretado. Detesto ainda mais quando me não me faço entender. Falar é mais que uma habilidade. Mais que um dom. É uma virtude. E também um vício.


Você é o...

  • 12,474 º freguês

HeartCry

Estoque

Veja também:

 

Novembro 2009
D S T Q Q S S
« Jun    
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930