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Me dói o peito ao ver um casal trocando juras de amor. Depois das experiências que tive, que não foram poucas, começo a duvidar que o amor entre um homem e uma mulher seja mútuo, ao menos não na juventude. Claro que tenho exemplos cabais de que existe tal raro caso de duas almas se atraírem de forma que não se possa distingüir uma da outra, mas me parece que essa possibilidade se esgotou há algumas décadas. É difícil que alguém consiga o grande feito que é se apaixonar por alguém que a ame de alguma forma, e está ainda mais fora da minha realidade a idéia de que uma pessoa ame outra com a mesma intensidade que é amada. Me surpreende o fato de que tenho visto pessoas casarem cada vez mais jovens; não sei se é pelo fato de eu ter envelhecido ao ponto de ter muitos amigos casados, algo com que eu não estava acostumado na minha recém-falecida adolescência, ou se as pessoas estão tão desiludidas de sua fé no amor verdadeiro que escolhem viver um para-sempre finito com alguém que lhe agrade de uma forma qualquer por mais banal que seja. Talvez seja eu quem tenha perdido a fé e tenha sofrido a síndrome que comumente se acomete aos fracos: Culpar todo o resto ao invés de si mesmo. Essa possibilidade não me agrada, muito embora eu duvide dela só pelo fato de a ter cogitado. Talvez nada do que eu esteja dizendo faça sentido, e tudo o que espero com este texto, é que as palavras me digam o motivo de toda essa minha tristeza.

 

Para Ruiva.


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